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Morte de bebê em Porto Velho levanta suspeitas de negligência
A Polícia Civil investiga a morte de uma bebê prematura, ocorrida na última terça-feira (21), após cerca de 47 dias de internação no Hospital de Base, em Porto Velho(RO). Nascida no dia 4 de março, com sete meses de gestação, Stefany Dandara não resistiu, e os pais acusam o Estado de negligência.
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Dandara nasceu com sete meses de gestação e foi diagnosticada com uma inflamação aguda causada por corioamnionite, uma infecção que atinge o líquido amniótico.
➡️A condição ocorre quando bactérias presentes no corpo da mãe chegam até o fluido que envolve o feto. Sem imunidade suficiente, o bebê pode ingerir esse líquido contaminado, o que favorece a disseminação da infecção pelo organismo.
Segundo a família, durante o período em que a criança esteve internada, houve falta de materiais essenciais para o tratamento de recém-nascidos na unidade.
“Faltavam máscaras para a gente, faltava esparadrapo de qualidade, faltavam curativos, faltavam sondas. No caso da minha filha, faltou sonda gástrica. Ela acabou usando uma numeração muito grande, e o leite entrava muito rápido, fazendo ela vomitar. Em uma dessas situações, acabou indo para o pulmão”, disse a mãe Crislaine Vitória.
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O pai, César Ferreira, contou que a família precisou comprar materiais por conta própria para garantir o tratamento da filha.
“A gente teve que comprar curativos específicos para o braço dela, para não pegar água, não dar bactéria. Era essencial, porque ela só conseguia tomar os medicamentos por aquele acesso”, relatou.
Crislaine Vitória também afirma que houve momentos em que faltaram itens básicos de higiene, como gaze ou lenços de limpeza.
“A gente fica imaginando: se a gente que conseguiu levar esse básico ainda sofreu, imagine quem não consegue”, disse.
De acordo com a família, a criança chegou a apresentar melhora após o tratamento inicial contra o quadro infeccioso, mas pouco tempo depois desenvolveu uma nova infecção, desta vez adquirida no ambiente hospitalar, o que acabou desencadeando uma série de outras complicações de saúde.
Diante da situação, a família registrou queixa e buscou diferentes órgãos de controle. Dentre eles está a Defensoria Pública de Rondônia, que acompanha o caso. O defensor Sérgio Muniz informou que já foi iniciado um procedimento preliminar para apurar as circunstâncias da morte e que já encaminharam ofícios à direção do hospital e à Secretaria de Saúde, requisitando informações.
“É importante salientar que as famílias, assim como as suas crianças que estão sendo atendidas pelo SUS, têm todo o direito à saúde garantido, não só pela Constituição Federal, como pelas leis”, reforça o Defensor.
O que diz o Estado?
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que a bebê prematura estava em estado clínico extremamente grave e recebeu assistência intensiva contínua durante toda a internação.
Segundo a Sesau, apesar dos esforços da equipe, o quadro evoluiu para falência múltipla de órgãos, condição que apresenta alta taxa de mortalidade em recém-nascidos prematuros, e destacou que todas as condutas foram adotadas de forma técnica e adequada à gravidade do caso.
Confira a nota na íntegra:
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclarece que a bebê prematura, S. D., estava internada no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro, estava com quadro clínico extremamente grave, durante todo o período de internação, o bebê recebeu assistência intensiva contínua, com suporte avançado de vida e uso dos recursos disponíveis, incluindo ventilação mecânica, medicamentos vasoativos, antibióticos de amplo espectro e monitorização constante.
Apesar de todos os esforços e intervenções médicas, o quadro evoluiu para falência múltipla de órgãos, essas condições, especialmente em recém-nascidos prematuros, estão associadas a alta taxa de mortalidade, resultando no óbito. Ressaltamos que todas as condutas foram adotadas de forma técnica, ética e tempestiva, compatíveis com a gravidade extrema apresentada desde a admissão.
A pasta lamenta profundamente o desfecho e se solidariza com a dor da família. Reafirmamos nosso compromisso com a dedicação integral ao cuidado dos pacientes e com a busca constante pela vida, mesmo diante de situações clínicas de altíssimo risco.
Pais de Stefany Dandara comemorando o primeiro mês dela
Acervo Pessoal
Stefany Dandara
Acervo Pessoal
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