O Palácio do Planalto divulgou nota oficial nesta sexta-feira (29) reafirmando a autonomia das instituições brasileiras no combate ao crime organizado. O posicionamento responde à decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas, medida vista pelo governo federal como um risco à soberania nacional, à economia e a inovações como o Pix, que, segundo o comunicado, incomodam interesses financeiros estrangeiros.
Risco à segurança e ao sistema financeiro
Na nota, o governo enfatiza que o crime organizado no Brasil, operado por facções como o PCC e o Comando Vermelho, possui finalidade lucrativa e não guarda relação com motivações ideológicas, políticas ou religiosas que definem o terrorismo internacional. O Planalto alerta que ações unilaterais dos EUA podem fragilizar a cooperação policial e gerar danos colaterais a cidadãos brasileiros, além de colocar em xeque a estabilidade do sistema financeiro nacional.
O comunicado destaca que o país já possui mecanismos rigorosos de enfrentamento, como a recente lei que prevê penas de até 80 anos para integrantes de organizações criminosas e o programa “Brasil contra o Crime Organizado”. Para o Executivo, a ingerência estrangeira, longe de ajudar, atrapalha a estratégia de combate iniciada pelo governo brasileiro.
Críticas à família Bolsonaro
O documento também subiu o tom contra o que chamou de “traidores” da pátria, acusando integrantes da família Bolsonaro de buscar ativamente a intervenção de potências estrangeiras nos assuntos internos do Brasil. A nota cita especificamente a recente viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, onde teria solicitado a Trump a classificação das facções brasileiras como terroristas.
O Palácio do Planalto qualificou a postura como “deplorável” e equiparou o movimento a episódios anteriores, como o apoio da oposição a políticas tarifárias que prejudicaram a economia nacional. Segundo o governo, a segurança pública é um tema estratégico demais para ser manipulado por “falsos patriotas” que, sob o pretexto de combater o crime, buscariam apenas a desestabilização política e a ingerência externa na democracia brasileira.
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Fonte: News Rondônia