O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o governo dos Estados Unidos nesta sexta-feira (29), após a decisão da Casa Branca de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-SE), em Laranjeiras, Sergipe, o mandatário afirmou que as facções são, de fato, terroristas, mas exclusivamente sob a perspectiva das comunidades brasileiras que sofrem com a criminalidade, e não como ameaças aos interesses norte-americanos.
Crítica à postura americana
Lula refutou qualquer justificativa para intervenção estrangeira e criticou a forma como o Brasil tem sido tratado por autoridades estadunidenses. “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, declarou o presidente. Ele ressaltou que o Brasil possui leis rigorosas contra o crime organizado e que o combate a esses grupos é uma responsabilidade interna, reforçada recentemente pela aprovação da legislação antifacções e pela PEC da Segurança Pública.
O presidente também apontou o que considera ser o verdadeiro interesse dos Estados Unidos: a cobiça pelas riquezas minerais, terras raras, recursos hídricos e pela Amazônia. “Daqui a pouco vão dizer que a Amazônia é deles. Não é”, enfatizou, defendendo a integridade territorial e o respeito mútuo nas relações internacionais.
Exigência de reciprocidade
Durante o discurso, Lula desafiou o governo de Donald Trump a comprovar o interesse na cooperação contra o crime organizado através de ações práticas. O presidente relatou ter entregue ao líder americano uma lista de criminosos brasileiros foragidos nos EUA, incluindo o ex-diretor da ABIN, Carlos Ramagem, e o empresário Ricardo Magro, além de citar a existência de lavagem de dinheiro por brasileiros no estado de Delaware.
“Quer combater o crime organizado? Entreguem os nossos que estão lá nos EUA”, afirmou. Lula reiterou que o Brasil está aberto à colaboração internacional desde que pautada pela soberania e pela reciprocidade, mantendo uma postura diplomática que trata todas as nações com igual respeito. A fala de Lula marca um novo capítulo de tensão nas relações bilaterais, reforçando a estratégia do Palácio do Planalto de evitar qualquer precedente que possa ser utilizado como pretexto para ingerência estrangeira em assuntos de segurança nacional.
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Fonte: News Rondônia