O uso do crédito rotativo no Brasil somou R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma alta de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados, divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (27), reforçam a preocupação com a linha de crédito mais cara do mercado, que registrou juros médios de 428,3% ao ano em março. Atualmente, cerca de 101 milhões de brasileiros possuem cartão de crédito, sendo que 40 milhões já acumulam débitos no rotativo.
A inadimplência nesta modalidade atingiu o patamar crítico de 63,5%, o que significa que mais de R$ 60 de cada R$ 100 emprestados não são pagos no prazo. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou que muitos consumidores incorporaram o rotativo à renda mensal, em vez de utilizá-lo apenas para emergências. O governo federal tenta conter o avanço do endividamento por meio de novas regulamentações que limitam os juros ao valor original da dívida, impedindo que um débito de R$ 100 ultrapasse R$ 200.
Novas medidas e refinanciamento de dívidas
Em pleno ano eleitoral, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara um novo pacote para aliviar o bolso da população. O Ministério da Fazenda analisa um programa para unificar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em uma única linha refinanciada. A proposta prevê descontos agressivos que podem variar de 30% a 90% sobre os juros acumulados, visando limpar o nome de milhões de brasileiros e recuperar o poder de consumo.
O governo estuda autorizar o uso do saldo do FGTS para quitar dívidas, além de regulamentar o uso do fundo como garantia para empréstimos consignados no setor privado. O objetivo do Banco Central é criar arranjos mais saudáveis, incentivando migrações para linhas de crédito com taxas menores antes que o consumidor caia no rotativo. A lei que limita o crescimento da dívida a 100% do valor principal continua em vigor, mas o governo busca reduzir as taxas iniciais cobradas pelos bancos.
Apesar das promessas de campanha e das movimentações da equipe econômica, medidas como o uso do FGTS para baixar juros do setor privado ainda aguardam regulamentação definitiva. Analistas recomendam que os consumidores priorizem o pagamento total da fatura para evitar o efeito bola de neve. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que a estratégia de unificação de débitos é a principal aposta para reduzir a inadimplência estrutural que trava o crescimento econômico do país.
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Fonte: News Rondônia