Fenômeno associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial pode atingir intensidade semelhante aos eventos históricos de 1997-1998 e 2015-2016. Meteorologistas também alertam para a expansão do aquecimento por diferentes áreas do Pacífico Equatorial, sinalizando um cenário de atenção máxima nos próximos meses.
A atuação do chamado “super El Niño” deve se intensificar entre os meses de julho e setembro, segundo análise divulgada pela meteorologista Estael Sias, uma das fundadoras da MetSul Meteorologia. O fenômeno, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, já apresenta indicadores que o colocam na retaguarda de forte intensidade, conforme dados do Índice Oceânico Niño (ONI).
De acordo com a especialista, o evento tem potencial para alcançar níveis comparáveis aos registrados durante os episódios históricos de 1997-1998 e 2015-2016, considerados entre os mais intensos das últimas décadas. A preocupação dos meteorologistas está relacionada aos impactos climáticos que o fenômeno pode provocar em diferentes regiões do planeta, alterando padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica.
Um dos fatores que reforçam essa projeção é a elevação da temperatura das águas em áreas monitoradas próximas às costas do Equador e do Peru. Nessas regiões, os registros já apontam anomalias em torno de 2,7°C acima da média histórica.
Na reportagem da MetSul Meteorologia, Estael Sias destaca que o atual aquecimento é “praticamente comparável” ao observado em 1997, quando a anomalia atingiu 2,8°C. O índice também supera os níveis registrados em 2015, quando a temperatura das águas apresentou desvio próximo de 2,0°C acima da média.
Outro dado que preocupa os meteorologistas é que o aquecimento das águas, que normalmente se concentra em uma faixa específica do Oceano Pacífico próxima à América do Sul, já se espalha por outras áreas do Pacífico Equatorial. Segundo Estael Sias, esse comportamento indica a possibilidade de uma anomalia ainda mais intensa nos próximos meses.
O cenário é de atenção máxima, uma vez que o fenômeno climático já deverá influenciar as condições atmosféricas durante o inverno no Hemisfério Sul. De acordo com a MetSul, o pico do evento tem potencial para ocorrer entre outubro, novembro e dezembro. “Com base nos indicadores atuais, com o índice tradicional ONI já apresentando 1,5°C de anomalia em junho, equivalente a um El Niño forte, a MetSul considera altamente provável que condições de Super El Niño sejam alcançadas no trimestre entre julho e setembro, com o pico do fenômeno ocorrendo no trimestre de outubro a dezembro”, explica Sias.
As pesquisas e os modelos climáticos analisados pela meteorologista indicam que o fenômeno seguirá em fortalecimento nos próximos meses, consolidando um cenário de alerta para os órgãos de monitoramento meteorológico e para setores diretamente impactados por eventos climáticos extremos.
Entenda a ocorrência do fenômeno El Niño a partir de um estudo disponível na íntegra na página da NASA
Durante um evento de El Niño, as águas superficiais das regiões tropicais do Pacífico Central e Oriental ficam significativamente mais quentes do que o normal. Essa mudança está intimamente ligada à atmosfera e aos ventos que sopram sobre a vasta extensão do Oceano Pacífico.
https://science.nasa.gov/earth/explore/el-nino/
Os ventos alísios de leste, que normalmente sopram das Américas em direção à Ásia, enfraquecem e podem até mesmo se transformar em ventos de oeste. Isso permite que grandes massas de água quente se desloquem do Pacífico Ocidental em direção às Américas. O fenômeno também reduz a ressurgência de águas mais frias e ricas em nutrientes vindas das profundezas, interrompendo ou até invertendo as correntes oceânicas ao redor da Linha do Equador e ao longo da costa oeste da América do Sul e da América Central.
A circulação do ar sobre o Oceano Pacífico Tropical responde a essa expressiva redistribuição do calor oceânico. Os sistemas de alta pressão, normalmente mais intensos no Pacífico Oriental, enfraquecem, alterando o equilíbrio da pressão atmosférica entre as porções oriental, central e ocidental do oceano.
Enquanto os ventos de leste tendem a ser mais secos e constantes, os ventos de oeste do Pacífico costumam chegar em rajadas de ar mais quente e úmido, favorecendo mudanças significativas nos padrões climáticos em diversas regiões do planeta. Essas alterações podem influenciar o regime de chuvas, as temperaturas e a ocorrência de eventos extremos, impactando diretamente atividades econômicas, ambientais e a vida da população.
Com informações de MetSul e Nasa.
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Fonte: News Rondônia