A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (28), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1. Com votação praticamente unânime, o texto obteve 461 votos favoráveis no segundo turno, consolidando uma vitória histórica para os movimentos sociais e entidades sindicais que articulam a pauta há anos. A matéria, relatada pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA), agora segue para análise do Senado Federal.
Avanços no texto da PEC
A nova regulamentação prevê a redução da carga horária semanal dos atuais 44 para 40 horas, garantindo a manutenção integral dos salários. Além disso, a proposta assegura dois dias de folga por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. O vereador Rick Azevedo (Psol-RJ), um dos principais articuladores do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), celebrou o resultado como “o maior direito trabalhista conquistado desde 1988” e convocou a base social a manter a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para agilizar a tramitação na Casa.
O movimento ganhou força nacional a partir de 2023, quando Azevedo, na época balconista de farmácia, viralizou nas redes sociais ao denunciar o que chamou de “escravidão ultrapassada” nas jornadas de trabalho brasileiras. O desabafo se transformou no movimento VAT, que reuniu mais de 3 milhões de assinaturas, articulou-se com lideranças parlamentares e contou com o apoio do governo federal, que enviou em abril de 2026 um projeto de lei em caráter de urgência reforçando o debate sobre a redução da jornada.
Reflexos políticos
A repercussão da causa impulsionou a carreira política de Azevedo, que se elegeu vereador do Rio de Janeiro em 2024 com quase 30 mil votos. Para o parlamentar, a aprovação na Câmara representa não apenas a melhoria na qualidade de vida do trabalhador, que ganha tempo para o descanso e o autocuidado, mas também a prova de que a mobilização popular é capaz de pautar o Legislativo brasileiro.
O texto agora aguarda definição de agenda no Senado, onde lideranças sindicais prometem atuar intensamente para evitar que a proposta sofra retrocessos ou perca a celeridade. A expectativa dos defensores da medida é que o fim da escala 6×1 represente o primeiro passo para uma série de novas conquistas no campo dos direitos laborais, equilibrando melhor a vida pessoal e a produtividade no mercado de trabalho nacional.
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Fonte: News Rondônia