A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas traz preocupações imediatas para a economia nacional. Especialistas em geopolítica e relações internacionais avaliam que a medida vai além do campo diplomático, podendo resultar em desinvestimentos, dificuldades nas exportações e uma drástica queda no turismo, ao equiparar o Brasil, na percepção de risco global, a países instáveis ou marcados por conflitos.
Riscos ao investimento e exportações
O cientista político e professor aposentado da UFRJ, Francisco Carlos Teixeira da Silva, alerta que a classificação cria uma barreira invisível para o capital estrangeiro. “Com a definição de país que abriga terrorismo internacional, o grau de investimento vai sofrer um impacto muito grande. Bancos e indústrias serão afetados, gerando cessação de criação de empregos e perda em transferências de tecnologia”, pontua. O impacto deve atingir também as exportações brasileiras, que passarão a ser alvo de um escrutínio rigoroso sob a suspeita de que produtos nacionais possam ser utilizados como fachada para atividades ilícitas ou financiamento de atentados.
O setor de turismo, especialmente o de negócios em polos como São Paulo e Rio de Janeiro, é outro ponto de vulnerabilidade. A classificação pode afastar viajantes e delegados internacionais que, por normas de compliance e segurança de suas próprias empresas, evitarão destinos sinalizados como “abrigos de terrorismo”.
Uso político e a ameaça ao sistema financeiro
Especialistas também levantam a hipótese de uso político dessa classificação para favorecer interesses econômicos estadunidenses. O professor de economia internacional da UFRJ, Luiz Carlos Prado, ressalta que a medida pode ser utilizada como um subterfúgio para barrar concorrentes brasileiros. “Recentemente, houve investigações que envolvem fintechs na Faria Lima. A decisão abre espaço para uma retaliação contínua sob o pretexto de apoio ao terrorismo”, analisa.
O governo brasileiro tem destacado que a iniciativa americana mira inovações nacionais, como o Pix, que desafiam a hegemonia de empresas financeiras estrangeiras. A percepção é de que o combate ao crime organizado, que busca lucro, está sendo confundido propositalmente com o terrorismo internacional, que possui motivações ideológicas e políticas. Especialistas sugerem que, se o objetivo fosse o combate real, os EUA deveriam focar na supressão de paraísos fiscais, como o estado de Delaware e ilhas do Caribe, onde o dinheiro do tráfico e da corrupção brasileira é efetivamente lavado, em vez de recorrer a medidas que fragilizam a soberania e a estabilidade econômica de parceiros comerciais.
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Fonte: News Rondônia