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Quadrinhos viram ferramenta de conscientização na EJA

A utilização de quadrinhos como ferramenta de conscientização na EJA tem ganhado espaço no ensino brasileiro ao abordar temas como assédio moral e violência de gênero de forma acessível. A proposta integra materiais pedagógicos voltados à Educação de Jovens e Adultos e busca estimular o pensamento crítico dos estudantes.
A iniciativa surgiu a partir da inclusão da personagem Engenheira Eugênia em apostilas educacionais utilizadas nos anos iniciais do ensino fundamental da EJA. Criada em 2013 por um coletivo de mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), a personagem nasceu como resposta à necessidade de dar visibilidade às mulheres na engenharia e denunciar desigualdades históricas na profissão.
Educação como ponte para transformação social
A proposta pedagógica vai além da leitura. Em sala de aula, as tirinhas são utilizadas para provocar discussões sobre situações reais do ambiente de trabalho. Em uma das histórias, por exemplo, a personagem sofre assédio moral de seu superior, o que leva os alunos a identificarem comportamentos abusivos e refletirem sobre respeito e direitos.
A diretora do coletivo responsável pela criação da personagem destaca que o objetivo sempre foi criar uma linguagem simples e direta. Os quadrinhos permitem traduzir temas complexos em narrativas compreensíveis, facilitando o diálogo com públicos diversos, especialmente aqueles que retornam aos estudos após longos períodos afastados da escola.
Representatividade e quebra de estereótipos
Outro ponto central do projeto é a representatividade. A Engenheira Eugênia é retratada como uma mulher negra, experiente na profissão e que enfrenta desafios comuns à realidade de muitas brasileiras, como a dupla jornada de trabalho.
Essa construção ajuda a desconstruir estigmas históricos ligados à engenharia, frequentemente vista como uma área elitizada e masculina. Em atividades com estudantes, especialmente em comunidades, foi possível perceber como essas percepções ainda estão presentes e como o contato com a personagem amplia horizontes.
Impacto além da sala de aula
O alcance da iniciativa não se limita à EJA. Projetos sociais também utilizam as tirinhas para trabalhar temas como inclusão e oportunidades com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.
Ao longo dos anos, a personagem ganhou projeção internacional, foi traduzida para outros idiomas e reconhecida com premiações na área de direitos humanos. O material também já foi adaptado para diferentes formatos, incluindo animações e conteúdos educativos complementares.
A permanência do projeto reforça a importância da comunicação como ferramenta de mudança social. Ao estimular o debate, os quadrinhos ajudam a formar cidadãos mais conscientes e preparados para enfrentar desigualdades no ambiente de trabalho e na sociedade.
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Fonte: News Rondônia

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