O programa Prosa & Pesquisa desta terça-feira, dia 31 de março de 2026, traz um tema profundo e necessário para a realidade amazônica. Com o título “Barrando Vidas: Hidrelétricas e a violação do trabalho decente nas populações ribeirinhas do Rio Madeira”, a edição recebe Luanda Felix, pesquisadora e servidora pública que vem se dedicando ao estudo dos impactos sociais causados pelos grandes empreendimentos energéticos na região.
Logo após o título e subtítulo, o público já pode esperar uma conversa reflexiva e fundamentada, que vai além dos discursos tradicionais sobre desenvolvimento. Formada em Direito, com pós-graduação em Filosofia do Direito e Sociologia Política, e atualmente mestranda em Direitos Humanos e Acesso à Justiça, Luanda apresenta durante a entrevista os principais achados de sua pesquisa.
O estudo analisa como a construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio provocou transformações profundas no modo de vida das populações ribeirinhas do Rio Madeira. Segundo a pesquisadora, os impactos não se limitam ao meio ambiente. Há consequências diretas sobre o trabalho dessas comunidades, que historicamente dependem da pesca, da agricultura de subsistência e da relação direta com o rio para sobreviver.
Com a chegada dos empreendimentos, muitas dessas atividades foram inviabilizadas ou drasticamente reduzidas. Além disso, o episódio evidencia situações de deslocamento compulsório, onde famílias foram obrigadas a deixar seus territórios tradicionais, rompendo vínculos culturais e sociais construídos ao longo de gerações. Esse processo contribui para a fragilização da identidade dessas populações, que passam a enfrentar dificuldades de adaptação em novos contextos.
A entrevista também levanta uma reflexão crítica sobre o modelo de desenvolvimento adotado na Amazônia. Até que ponto o progresso econômico pode justificar a violação de direitos fundamentais? Essa é uma das perguntas centrais que orientam a conversa. Luanda destaca ainda a importância da justiça socioambiental como caminho para equilibrar desenvolvimento e respeito aos direitos humanos.
Para ela, é fundamental ampliar o debate e garantir que as vozes das populações tradicionais sejam ouvidas e consideradas nos processos de tomada de decisão. O programa se propõe a dar visibilidade a essas realidades muitas vezes ignoradas, promovendo um espaço de diálogo e conscientização sobre os desafios enfrentados na região amazônica.
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Fonte: News Rondônia