O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, divulgou nesta quarta-feira, 1º de abril, uma extensa carta aberta endereçada diretamente ao povo dos Estados Unidos e à comunidade internacional. No documento, publicado em inglês na rede social X, o líder iraniano enfatizou que a nação persa não nutre inimizade contra os cidadãos americanos ou europeus, mas sim contra as políticas de intervenção de seus governos. Pezeshkian defendeu que as ações recentes do Irã são medidas de legítima autodefesa contra a presença militar estrangeira que cerca suas fronteiras.
O texto histórico recorda episódios de tensão entre as duas nações, citando o golpe de Estado de 1953 (Operação Ajax) e o apoio a Saddam Hussein na década de 1980 como raízes da profunda desconfiança atual. O presidente argumentou que, apesar das sanções econômicas e das agressões, o Irã triplicou suas taxas de alfabetização e avançou em tecnologia e saúde desde a Revolução Islâmica. Ele questionou o impacto humanitário das sanções, mencionando a destruição de instalações farmacêuticas e o sofrimento da população civil sob os bombardeios.
Pezeshkian também levantou dúvidas sobre quem realmente se beneficia com o conflito atual, sugerindo que os Estados Unidos estariam sendo manipulados por interesses de Israel. Segundo o líder iraniano, a fabricação de uma “ameaça iraniana” serve para desviar a atenção global de questões palestinas e onerar o contribuinte americano. Ele convidou os cidadãos dos EUA a olharem além da “máquina de desinformação” e reconhecerem a contribuição de imigrantes iranianos de sucesso nas universidades e empresas de tecnologia ocidentais.
A manifestação ocorre em um momento crítico, completando um mês de ataques combinados entre EUA e Israel contra o território iraniano, que resultaram na morte de importantes lideranças locais, incluindo o líder supremo Ali Khamenei. O bloqueio do Estreito de Ormuz, consequência direta da guerra, já elevou o preço do barril de petróleo em 50% no mercado internacional. A carta foi publicada poucas horas antes de um pronunciamento aguardado do presidente Donald Trump, que deve definir os próximos passos da estratégia militar americana na região.
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Fonte: News Rondônia