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Ponto & Contraponto: Roberto Pinto Monte Junior debate proteção à infância e combate ao abuso sexual

O programa Ponto & Contraponto, apresentado pelo delegado Sandro Moura, recebeu o professor Roberto Pinto Monte Junior para uma discussão sobre o Maio Laranja, campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Durante quase uma hora de entrevista, o convidado compartilhou experiências profissionais, dados preocupantes sobre a violência infantil e orientações importantes para pais, educadores e toda a sociedade.
Formado em Direito em 2008, Roberto construiu uma trajetória marcada pela atuação na Defensoria Pública, no Ministério Público Federal, na Força Aérea Brasileira e na docência universitária. Ao longo da carreira, teve contato direto com casos envolvendo violações de direitos de crianças e adolescentes, o que reforçou seu compromisso com a conscientização sobre o tema.
A origem do Maio Laranja
Durante a entrevista, Roberto explicou que o Maio Laranja surgiu em memória de Araceli Crespo, menina assassinada em 1973, em um dos crimes mais brutais registrados no país. O caso motivou a criação da Lei Federal nº 9.970/2000, que instituiu o 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Segundo o professor, a data representa um compromisso permanente da sociedade com a proteção da infância e o enfrentamento de todas as formas de violência.
Números alarmantes
Um dos pontos mais impactantes da entrevista foi a apresentação de dados recentes sobre violações contra crianças e adolescentes.
De acordo com informações citadas por Roberto, somente entre janeiro e abril de 2026 foram registradas mais de 32 mil denúncias relacionadas à violência sexual contra crianças e adolescentes por meio do Disque 100.
O especialista destacou que os números podem ser ainda maiores devido à chamada “cifra negra”, expressão utilizada para definir casos que nunca chegam ao conhecimento das autoridades.
O agressor geralmente está próximo
Roberto chamou atenção para um aspecto recorrente nos casos de abuso sexual infantil: na maioria das situações, o agressor é alguém próximo da vítima.
Segundo ele, muitas vezes o abusador não apresenta comportamentos que despertem suspeitas imediatas, sendo frequentemente uma pessoa conhecida da família, presente na rotina da criança e que conquista gradativamente sua confiança.
Por isso, reforçou a necessidade de acompanhamento constante por parte dos responsáveis.
Sinais de alerta
Durante o programa, o professor destacou alguns comportamentos que podem indicar situações de risco:

Mudanças bruscas de comportamento;
Medo ou rejeição repentina a determinadas pessoas;
Isolamento social;
Tristeza constante;
Segredos envolvendo adultos;
Presentes recebidos sem explicação clara;
Resistência incomum em frequentar determinados locais ou conviver com certas pessoas.

Para Roberto, a observação atenta da rotina dos filhos pode ser decisiva para identificar situações de vulnerabilidade antes que elas se agravem.
A importância da educação e da conversa
Um dos principais temas abordados foi a necessidade de diálogo dentro das famílias.
O professor defendeu que pais e responsáveis construam uma relação de confiança com crianças e adolescentes, criando um ambiente seguro para que possam relatar situações desconfortáveis ou suspeitas.
Ele também ressaltou a importância de ações educativas nas escolas, incluindo atividades lúdicas que ensinem às crianças limites corporais, respeito e formas de buscar ajuda quando necessário.
Como denunciar
Roberto explicou que qualquer pessoa pode denunciar casos suspeitos por meio do Disque 100, canal gratuito que funciona 24 horas por dia, inclusive de forma anônima.
As informações recebidas são analisadas por equipes especializadas e encaminhadas aos órgãos competentes, como:

Conselho Tutelar;
Ministério Público;
Delegacias especializadas;
Rede de assistência social.

O delegado Sandro Moura também lembrou que denúncias podem ser feitas diretamente às forças de segurança, incluindo o telefone 197 da Polícia Civil.
Uma responsabilidade de todos
Ao encerrar a entrevista, Roberto reforçou que a proteção das crianças não é responsabilidade apenas dos pais, mas também da escola, da comunidade, da sociedade e do Estado.
Segundo ele, informação, educação, diálogo e presença familiar são ferramentas fundamentais para reduzir os índices de violência e garantir um ambiente mais seguro para crianças e adolescentes.

“A confiança é construída todos os dias. Quando uma criança sabe que pode conversar com os pais sem medo, ela encontra proteção justamente onde deveria encontrar: dentro da própria família”, destacou.

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Fonte: News Rondônia

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