A educação como ferramenta de transformação social, a pesquisa como instrumento de desenvolvimento e o compromisso com a comunidade foram os principais temas abordados pela professora, advogada e pesquisadora Roberta Paiva durante participação no programa Prosa & Pesquisa. Em uma conversa inspiradora, ela destacou sua trajetória profissional e acadêmica, além da importância da produção científica para a construção de políticas públicas e melhoria da qualidade de vida da população.
Atualmente docente do curso de Direito da Faculdade Metropolitana, Roberta ministra disciplinas como Direito Administrativo, Ciência Política e Socioantropologia Jurídica. Além da atuação na advocacia, ela desenvolve pesquisas voltadas para a agricultura familiar e participa de projetos sociais voltados à educação e inclusão.
Uma trajetória construída pela educação
Nascida e criada em Porto Velho, Roberta contou que sua história está diretamente ligada à educação pública. Filha de agricultores que migraram do Acre para Rondônia em busca de melhores oportunidades para os filhos, ela encontrou nos estudos a oportunidade de ampliar horizontes e construir uma carreira sólida.
Sua formação começou no Instituto Federal de Rondônia (IFRO), onde cursou o ensino técnico em informática. Foi nesse período que teve o primeiro contato com a pesquisa científica, experiência que despertou uma paixão que mais tarde se transformaria em uma importante área de atuação profissional.
Segundo ela, a educação não apenas abriu portas profissionais, mas também proporcionou novas formas de compreender a sociedade e seus desafios.
Pesquisa sobre a cadeia produtiva da mandioca
Um dos trabalhos desenvolvidos por Roberta atualmente está relacionado ao fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca no Território da Cidadania Madeira-Mamoré, que engloba os municípios de Porto Velho, Candeias do Jamari, Itapuã do Oeste, Nova Mamoré e Guajará-Mirim.
A pesquisa busca identificar desafios enfrentados pelos produtores rurais, especialmente relacionados à logística, transporte, mecanização da produção e acesso a mercados consumidores.
Durante a entrevista, a pesquisadora destacou que a mandioca é um alimento essencial para a região amazônica e possui forte ligação com a cultura dos povos originários. Além de seu valor nutricional, ela representa uma importante fonte de renda para centenas de famílias que vivem da agricultura familiar.
O protagonismo feminino no campo
Um dos aspectos que mais chamou a atenção da pesquisadora durante o trabalho de campo foi a forte presença das mulheres em todas as etapas da cadeia produtiva da mandioca.
Segundo Roberta, elas participam desde o plantio e colheita até a gestão de associações rurais e a busca por recursos e políticas públicas para suas comunidades. Em muitos casos, as associações de produtores rurais possuem mulheres na presidência, demonstrando o papel fundamental da liderança feminina no desenvolvimento do setor.
Pesquisa que gera resultados
Além do levantamento de dados, o projeto busca entregar soluções práticas para os produtores. Entre os produtos desenvolvidos estão cartilhas orientativas sobre cultivo e conservação da mandioca e um aplicativo que pretende aproximar produtores e compradores, facilitando a comercialização da produção rural.
Para a pesquisadora, a principal missão da ciência é ouvir a comunidade, registrar suas necessidades e transformar essas informações em conhecimento capaz de subsidiar futuras políticas públicas.
Educação como transformação social
Ao falar sobre sua experiência como professora, Roberta foi enfática ao afirmar que a educação continua sendo a principal ferramenta de transformação social.
Ela destacou que a universidade precisa fortalecer ainda mais a integração entre ensino, pesquisa e extensão, aproximando o conhecimento acadêmico das demandas reais da sociedade.
Segundo a docente, a pesquisa permite que estudantes desenvolvam senso crítico, capacidade de análise e uma visão mais ampla dos problemas sociais, preparando profissionais mais conscientes e comprometidos com a realidade em que vivem.
Voluntariado e compromisso com a comunidade
Além da atuação acadêmica, Roberta também integra o Instituto GIS (Grupo de Inovação Social), organização que desenvolve projetos voltados à educação, qualificação profissional e fortalecimento comunitário.
A iniciativa atua em escolas e comunidades oferecendo cursos, orientações e projetos que estimulam o protagonismo juvenil, o empreendedorismo e a transformação social por meio do conhecimento.
Ao encerrar a entrevista, Roberta deixou uma mensagem para estudantes e jovens pesquisadores:
“Se você tem uma ideia, execute. Não deixe seus projetos morrerem dentro de você. A pesquisa é uma ferramenta poderosa para transformar realidades e gerar impacto positivo na sociedade.”
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Fonte: News Rondônia