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A nova administração do Theatro Municipal de São Paulo promete uma mudança de rumo nas produções da casa. À frente da gestão que passa a ser exercida pelo Instituto Baccarelli, o maestro Edilson Ventureli afirmou que espetáculos de ópera não deverão incorporar mensagens de cunho político ou identitário, defendendo maior fidelidade às obras originais.
Segundo Ventureli, a proposta da nova gestão é priorizar as intenções dos compositores e evitar adaptações que incluam posicionamentos ideológicos. O dirigente afirma que a orientação vale para qualquer espectro político.
A declaração ocorre após produções recentes do Theatro provocarem debates. Em 2025, uma montagem de “Don Giovanni”, de Mozart, chamou atenção por substituir os recitativos originais por diálogos em português que continham referências políticas e sociais contemporâneas. Antes disso, uma releitura de “O Guarani”, de Carlos Gomes, também gerou debates por alterações consideradas distantes da concepção da obra original e com alusões ao esquerdismo. Ambas as produções receberam críticas de parte do público e de parlamentares que acusaram o teatro de promover ativismo político.
Questionado sobre eventuais pressões políticas, Ventureli afirmou que o Instituto Baccarelli mantém diálogo institucional com diferentes esferas de governo e sustenta uma posição apartidária. A declaração ocorre em meio a críticas de alguns setores culturais que se dizem preocupados com uma possível mudança de orientação artística da instituição. Parte dessas preocupações estaria relacionada à presença de Hélio Ferraz, ex-integrante do governo Jair Bolsonaro, na estrutura administrativa do instituto. O maestro, porém, afirma que a escolha de profissionais ocorre com base em critérios técnicos.
Além da gestão artística, o Baccarelli também assume a administração de um orçamento expressivo para os próximos cinco anos. A entidade será responsável pela condução das atividades do teatro, incluindo a Orquestra Sinfônica Municipal, o Balé da Cidade e os corpos corais.
A nova administração afirma que pretende promover ajustes financeiros para evitar problemas orçamentários registrados em anos anteriores, mas garante que não estão previstos cortes nos grupos artísticos permanentes. Ventureli também sinalizou que a programação deverá incorporar atrações ligadas à música popular e passar por revisões em alguns projetos herdados da gestão anterior.
Entre os espetáculos já confirmados está a montagem de “Tristão e Isolda”, de Richard Wagner, considerada uma das produções mais aguardadas da temporada. A estreia segue prevista para julho, embora a direção artística do projeto tenha sido alterada. A instituição não detalhou os motivos da mudança.
No caso do Balé da Cidade de São Paulo, Ventureli afirma que o repertório contemporâneo será mantido, mas deverá conviver com outras propostas artísticas. Segundo ele, a intenção é ampliar o alcance da programação e atrair públicos mais diversos, sem restringir o perfil cultural do Theatro Municipal a uma única vertente estética.
Fonte: Conexão Política