Em debate na SIC TV, candidato ao Governo afirmou que pretende rever benefício envolvendo débitos da concessionária
O candidato ao Governo de Rondônia Adailton Furia (PSD) afirmou, durante o debate promovido pela SIC TV na noite desta segunda-feira (21), que, se eleito, pretende revogar o que classificou como “perdão” concedido à Energisa em negociação envolvendo débitos com o Estado. Durante o confronto com os adversários, Furia afirmou que vai contestar a medida e defendeu que recursos públicos sejam destinados a áreas como saúde, educação e infraestrutura.
“Eu quero dizer ao povo de Rondônia que eu vou pra cima. Eu vou revogar esse perdão. É inadmissível que um aposentado, um pensionista, uma pessoa que ganha um salário mínimo pagar caro no valor da energia e, por vezes ser humilhada no balcão dessa companhia, ainda ter que ver essa empresa ter um perdão de R$ 1,5 bilhão”, declarou Furia.
O assunto surgiu durante um confronto direto com Hildon Chaves, quando Furia questionou o adversário sobre a negociação envolvendo a Energisa. Hildon afirmou que, caso a questão esteja juridicamente consolidada, não seria possível simplesmente desfazê-la, embora pudesse haver contestação. Furia, então, reafirmou que pretende questionar a medida caso assuma o Governo de Rondônia.
A discussão envolve a Lei Estadual nº 6.328/2026, que estabelece regras para transações de créditos tributários e não tributários do Estado. O mecanismo permite a negociação de débitos mediante condições previstas na legislação, incluindo descontos sobre juros, multas e outros encargos. Durante o debate, Furia se referiu à medida como um “perdão” à concessionária.
Segundo o candidato, recursos que deixariam de ser arrecadados poderiam ser aplicados diretamente em serviços públicos.
“É o dinheiro que pode ser investido para transformar a saúde do Estado, para melhorar as condições das nossas estradas, para melhorar a educação”, afirmou.
Furia também relacionou a discussão ao impacto das tarifas de energia sobre as famílias e o setor produtivo de Rondônia.
“Hoje, o produtor rural divide parte da sua produção com a Energisa. Hoje, o aposentado divide parte da sua aposentadoria com a Energisa. A gente não pode aceitar isso no estado de Rondônia, e eu vou pra cima, custe o que custar”, declarou.
Histórico de cobranças A discussão com a Energisa não começou na atual campanha. Em 2019, quando exercia mandato de deputado estadual, Furia assinou o pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada na Assembleia Legislativa para apurar denúncias de possíveis irregularidades e práticas abusivas contra consumidores de energia elétrica em Rondônia.
Durante os trabalhos da comissão, Furia participou das discussões sobre reclamações apresentadas por consumidores e chegou a cobrar a atuação dos órgãos de defesa do consumidor diante das denúncias relacionadas à concessionária.
Na época, ao defender a abertura da CPI, Furia afirmou: “A irresponsabilidade por parte dessa empresa, e o que ela está fazendo em Rondônia, é de abismar”.
Já em 2021, quando era prefeito, Furia também adotou medida envolvendo a concessionária ao anular uma confissão de dívida que havia sido assumida pela administração municipal anterior junto à Energisa.
Energia no plano de governo A pauta energética também aparece entre as propostas apresentadas por Furia para o Governo de Rondônia. No plano de governo, o programa “Rondônia Conectada: Energia e Internet” prevê ações voltadas à melhoria da qualidade e da continuidade do fornecimento de energia, com atenção a distritos, linhas rurais e comunidades mais afastadas.
Entre as propostas estão o acompanhamento de indicadores de qualidade do serviço, a identificação de regiões com problemas recorrentes de fornecimento, a ampliação do atendimento a propriedades rurais e agroindústrias e medidas de proteção a famílias, produtores e pequenos negócios diante de falhas na prestação do serviço.
Durante o debate da SIC TV, Furia afirmou que, caso a discussão sobre a negociação com a Energisa avance durante uma eventual gestão, pretende levar o tema novamente à esfera jurídica.
“Está suspenso pela Justiça e, assim que retomado, a gente vai suspender, sim. Porque eu não posso aceitar e ninguém pode aceitar um perdão de R$ 1,5 bilhão para essa companhia que tem sacrificado o nosso povo”, afirmou. (Assessoria)
Fonte: Tribuna Popular
