O Ministério da Fazenda elevou de 3,7% para 4,5% a projeção oficial da inflação para este ano, colocando a estimativa no limite máximo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A revisão consta no Boletim Macrofiscal, divulgado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE). De acordo com o documento técnico, o reajuste reflete diretamente os impactos econômicos provocados pelo conflito geopolítico no Oriente Médio.
Os dados macroeconômicos servem de base para a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que será encaminhado ao Congresso Nacional na próxima sexta-feira (22). O relatório é o principal balizador da execução do Orçamento federal, determinando a necessidade de bloqueios administrativos para o cumprimento dos limites de gastos ou contingenciamentos financeiros para assegurar as metas de superávit primário.
Pressão do petróleo e amortecimento cambial
A equipe econômica do Governo Federal apontou que a principal pressão inflacionária decorre da disparada da cotação do petróleo no mercado internacional, que ultrapassou a barreira dos US$ 110 por barril devido às crescentes tensões no Golfo Pérsico. O relatório oficial detalha que o encarecimento da commodity impacta diretamente a cadeia de combustíveis e derivados, gerando um efeito cascata sobre os preços internos.
Apesar do cenário de alerta, a SPE ressaltou que parte desse impacto negativo deverá ser suavizada nos próximos meses. Os técnicos da Fazenda apostam nos efeitos da valorização do real frente ao dólar e na aplicação de medidas mitigatórias adotadas pela gestão federal para conter o repasse integral da volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis aos consumidores nas bombas.
Manutenção do PIB e divergência com o mercado
Mesmo com a elevação dos índices inflacionários, o Ministério da Fazenda optou por manter em 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Para 2027, a expectativa de expansão da atividade econômica também foi preservada em 2,6%. A avaliação interna é de que o ritmo econômico sofrerá desaceleração temporária nos próximos dois trimestres devido aos juros altos, iniciando uma recuperação no fim do ano.
As projeções do governo federal continuam mais otimistas do que as previsões das instituições financeiras privadas. Segundo dados do último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, os analistas do mercado privado projetam uma inflação mais alta, na casa dos 4,92%, e estimam um avanço econômico mais tímido para o fechamento do ano corrente, fixado em 1,85%.
Reforço de caixa na arrecadação federal
Por outro lado, o encarecimento internacional do barril de petróleo trará um impacto positivo para os cofres da União. Conforme os cálculos matemáticos da Secretaria de Política Econômica, o choque de preços da commodity energética deve injetar cerca de R$ 8,5 bilhões extras por mês na arrecadação tributária do governo federal.
O incremento bilionário nos cofres públicos considera a entrada de receitas provenientes do pagamento de royalties, dividendos de estatais, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e arrecadações do Imposto de Exportação do setor petrolífero. A equipe econômica destaca que esse fôlego financeiro viabilizará uma resposta fiscal firme para garantir o compromisso com a consolidação das contas públicas.
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Fonte: News Rondônia