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Jornalista Josi Gonçalves defende comunicação responsável e direitos humanos na Amazônia

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A jornalista e pesquisadora Josi Gonçalves afirmou que a comunicação responsável e o fortalecimento das políticas públicas são essenciais para garantir a proteção dos direitos humanos na Amazônia. A declaração foi feita durante participação no programa Amazônia, Gente e Justiça, exibido pela News TV em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Ao longo da entrevista, Josi compartilhou experiências acumuladas na cobertura de conflitos socioambientais e explicou como a formação em Direito complementou sua atuação no jornalismo investigativo. Segundo ela, a convivência com lideranças indígenas e comunidades tradicionais revelou que muitas violações de direitos persistem mesmo diante da existência de leis específicas.

A pesquisadora apresentou como exemplo o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que analisou a situação de lideranças indígenas dos povos Puruborá e Karipuna em Rondônia. O estudo investigou mecanismos de proteção destinados a defensores de direitos humanos e concluiu que, embora existam instrumentos legais, muitos deles ainda não foram efetivamente implementados.

Segundo Josi, a ausência de políticas públicas faz com que comunidades vulneráveis continuem expostas a ameaças relacionadas à defesa do território, da cultura e dos direitos constitucionais.

Jornalismo como instrumento de transformação

Durante o debate, a jornalista ressaltou que o papel da imprensa vai além da divulgação de fatos. Para ela, o jornalismo deve ouvir diretamente as populações afetadas, ampliar a diversidade de fontes e apresentar informações verificadas que permitam à sociedade compreender problemas complexos.

Na avaliação da pesquisadora, muitas coberturas ainda priorizam apenas acontecimentos pontuais, deixando de mostrar os contextos sociais, ambientais e históricos que explicam os conflitos vividos na Amazônia.

Ela também alertou para os impactos da desinformação em temas relacionados ao meio ambiente, aos povos indígenas e aos direitos humanos, defendendo o fortalecimento da apuração jornalística e da checagem de informações.

Amazônia além dos conflitos Outro ponto destacado foi a necessidade de ampliar a forma como a Amazônia é retratada pela imprensa nacional.

Para Josi Gonçalves, a região não pode ser lembrada apenas por desmatamento, queimadas ou operações policiais. Ela destacou que a Amazônia também produz ciência, inovação, empreendedorismo, conhecimento acadêmico e soluções para desafios ambientais.

Nesse contexto, citou pesquisas desenvolvidas pela Universidade Federal de Rondônia que possuem potencial de gerar benefícios sociais e ambientais, mas que ainda recebem pouca visibilidade pública.

Segundo ela, divulgar essas iniciativas aproxima a sociedade da produção científica e pode contribuir para ampliar investimentos e políticas públicas voltadas à pesquisa.

Direitos humanos e políticas públicas

Durante a conversa, os participantes também discutiram a situação das populações que vivem em áreas isoladas de Rondônia, especialmente comunidades do Baixo Madeira.

Entre os principais desafios mencionados estão a dificuldade de acesso a serviços públicos, infraestrutura, comunicação, internet, saúde e proteção institucional.

Para a pesquisadora, garantir direitos humanos significa assegurar que essas populações tenham acesso efetivo às políticas previstas na legislação, e não apenas direitos reconhecidos formalmente.

Ao encerrar sua participação, Josi afirmou que a justiça depende da escuta das pessoas que vivem diariamente essas realidades e reforçou que jornalistas, pesquisadores e instituições públicas possuem papel fundamental na construção de soluções para os desafios enfrentados pela Amazônia.

A entrevista integrou mais uma edição do programa Amazônia, Gente e Justiça, iniciativa de extensão universitária que promove debates sobre temas relacionados ao meio ambiente, cidadania, direitos humanos e desenvolvimento regional.

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