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China passa a aplicar sobretaxa de 55% à carne bovina brasileira após país atingir cota

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Medida vale para os embarques que ultrapassarem o limite anual estabelecido pela China e aumenta a preocupação do setor pecuário brasileiro

A carne bovina brasileira que ultrapassar a cota anual estabelecida pela China passa a enfrentar uma tarifa adicional de 55% a partir desta quinta-feira, 1º de outubro. A medida ocorre após o Brasil atingir o limite de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas previsto para 2026.

A informação foi confirmada pelo Ministério do Comércio da China. A medida faz parte do sistema de salvaguardas adotado pelo governo chinês para controlar o volume de carne bovina importada.

Na prática, a sobretaxa não atinge indistintamente toda a carne brasileira enviada ao mercado chinês. O adicional de 55% incide sobre os volumes exportados depois de esgotada a cota destinada ao Brasil.

Além da sobretaxa, permanece a tarifa normal de importação de 12%. Com isso, os embarques excedentes podem enfrentar uma tributação total de 67% para entrar no mercado chinês.

China é o principal mercado da carne brasileira

A decisão chama atenção do agronegócio porque a China ocupa posição central nas exportações brasileiras de carne bovina. O país asiático absorve uma parcela expressiva da produção destinada ao exterior, tornando qualquer mudança nas condições de acesso ao mercado chinês relevante para frigoríficos e pecuaristas brasileiros.

A salvaguarda não foi anunciada agora. O mecanismo já estava previsto para 2026, mas a tarifa adicional somente passaria a ser aplicada depois que o Brasil consumisse integralmente sua cota.

Em julho, o Ministério da Agricultura informou que aproximadamente 80% do limite brasileiro já havia sido utilizado. Com a continuidade dos embarques nos meses seguintes, a cota acabou sendo atingida.

O que pode acontecer com o preço do boi?

O efeito da medida sobre o mercado brasileiro ainda dependerá da reação dos frigoríficos, do ritmo das exportações nos próximos meses e da capacidade do Brasil de direcionar parte da produção para outros compradores.

Caso os embarques para a China percam competitividade por causa da tarifa, poderá haver maior oferta de carne destinada a outros mercados ou ao próprio mercado interno. Por outro lado, empresas brasileiras e o governo buscam alternativas para ampliar destinos de exportação e reduzir a dependência de um único comprador.

Para estados com forte presença da pecuária, como Rondônia, o assunto merece atenção especial. A cadeia da carne movimenta produtores, frigoríficos, transportadores e outros setores da economia, fazendo com que mudanças no comércio internacional possam repercutir também no mercado regional.

O ponto principal, portanto, é que a China não colocou uma tarifa de 55% sobre toda a carne bovina brasileira. A sobretaxa vale para o volume que exceder a cota anual estabelecida para o Brasil em 2026.