Um fato inédito chamou a atenção da comunidade científica: o primeiro filhote vivo da jiboia-do-ribeira, considerada a serpente mais rara do mundo, foi encontrado no interior do estado de São Paulo. O animal, com cerca de 80 centímetros, foi localizado por um morador na comunidade do Guapiruvu, em Sete Barras, e está sob cuidados de especialistas.
A descoberta ocorre no momento em que o Projeto Jiboia-do-Ribeira completa uma década de atuação no Vale do Ribeira, região onde a espécie é endêmica e extremamente rara.
Marco científico e conservação
Segundo a pesquisadora Daniela Gennari, coordenadora técnica do projeto, o registro é simbólico por se tratar do primeiro indivíduo jovem encontrado vivo. Até hoje, apenas 25 exemplares da espécie foram documentados pela ciência desde sua descrição, em 1953.
O animal foi encontrado durante uma noite chuvosa, quando um morador avistou a serpente na estrada. A identificação correta só foi possível graças ao trabalho de educação ambiental desenvolvido na região, que orienta a população sobre a importância da espécie.
Espécie rara e pouco conhecida
Conhecida como uma “espécie fantasma” da herpetologia, a jiboia-do-ribeira permaneceu décadas sem registros. Ela é exclusiva do Vale do Ribeira e possui hábitos arborícolas, podendo viver a até 20 metros de altura nas copas das árvores.
Entre suas características estão a presença de fossetas labiais — estruturas que detectam calor —, locomoção lenta e atividade predominantemente noturna. Apesar de não ser peçonhenta, pode ser confundida com espécies venenosas.
Monitoramento e novas descobertas
O filhote passa por acompanhamento veterinário e será monitorado por pesquisadores. A expectativa é que, futuramente, ele seja reintroduzido na natureza.
Recentemente, uma fêmea adulta também foi encontrada em Juquiá, ampliando o conhecimento sobre a distribuição da espécie. Para o pesquisador Bruno Rocha, cada novo registro representa um avanço significativo.
“Estamos lidando com algo novo, com uma espécie extremamente rara e ainda pouco conhecida. Cada indivíduo encontrado traz informações valiosas”, destacou.
Desafios para a sobrevivência
Especialistas apontam que a raridade da espécie está ligada ao seu habitat restrito, comportamento discreto e baixa taxa de registros ao longo das décadas. Além disso, mudanças ambientais e climáticas podem representar ameaças adicionais.
O trabalho do projeto inclui monitoramento por rádio, educação ambiental e parcerias com instituições como o Instituto Butantan, reforçando a importância da conservação.
A expectativa dos pesquisadores é transformar a jiboia-do-ribeira em símbolo da biodiversidade do Vale do Ribeira, ampliando a conscientização e a proteção da espécie.
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Fonte: News Rondônia