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Encontrão da RESEBA fortalece bioeconomia na Amazônia

A construção de uma Amazônia mais sustentável, aliando conservação ambiental e geração de renda, ganhou um importante impulso com a realização do Encontrão dos Articuladores da Rede de Sementes da Bioeconomia Amazônica (RESEBA), em Porto Velho. O encontro reuniu lideranças indígenas, quilombolas, agricultores familiares, especialistas e instituições parceiras para debater estratégias voltadas ao fortalecimento da restauração ecológica e da bioeconomia na região.
Promovido pela Ecoporé, com financiamento do Fundo Luz Alliance da Brazil Foundation e apoio da The Caring Family Foundation, o evento teve duração de três dias e resultou na criação de diretrizes inéditas que servirão de base para a atuação da rede nos próximos anos.
O principal avanço alcançado foi a elaboração coletiva de um documento interno que estabelece funções, responsabilidades, pré-requisitos e acordos de convivência entre os participantes da rede. A iniciativa busca fortalecer a governança da RESEBA, garantir a qualidade das sementes comercializadas e ampliar os benefícios socioeconômicos gerados pelas atividades de restauração ambiental.
Atualmente, a rede reúne 888 coletores de sementes distribuídos por Rondônia, sul do Amazonas e norte do Mato Grosso, abrangendo dez territórios indígenas, comunidades quilombolas e produtores rurais.
Segundo Aline Smychniuk, gerente de sementes da RESEBA, o encontro representa um marco para a consolidação da cadeia produtiva da bioeconomia amazônica.

“Hoje a RESEBA conta com 888 coletores de sementes distribuídos em todo o estado de Rondônia, sul do Amazonas e norte do Mato Grosso. Esse espaço em que conseguimos unir todos esses coletores e articuladores é fundamental para fazermos uma construção em conjunto“, destacou.

O fortalecimento da gestão comunitária também foi apontado como um dos principais resultados do evento. Para Matheus Rezende, analista socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA) e representante do Redário, a troca de experiências entre os grupos permitirá avanços importantes em áreas como administração, gestão financeira, comercialização e organização das cadeias produtivas.
Além dos aspectos técnicos, o Encontrão reforçou a valorização dos conhecimentos tradicionais e da relação histórica das comunidades com os recursos naturais da Amazônia.
Para Luciane Karitiana, coletora de sementes há quatro anos, a atividade representa não apenas uma fonte de renda, mas também uma forma de preservar a floresta e transmitir conhecimentos às novas gerações.

“Estamos aqui para preservar a natureza e para que os jovens também aprendam. Coletar sementes não é fácil, então viemos aprender e nos desenvolver nessa prática“, afirmou.

A mudança na percepção sobre o valor das sementes também foi destacada por Benjamin Oro Nao, presidente da Associação Indígena Santo André. Segundo ele, materiais que antes eram descartados hoje são reconhecidos como importantes para a geração de renda, alimentação da fauna, produção artesanal e utilização medicinal dentro das comunidades.
Outro tema central do encontro foi a participação da juventude na construção de um futuro sustentável para a região. Rijakson Apurinã, coordenador interino da Organização da Juventude Indígena e assessor em Lábrea (AM), ressaltou que o compartilhamento de conhecimentos sobre reflorestamento e manejo sustentável é essencial para garantir a continuidade das ações de conservação.

O sucesso do Encontrão reforça a missão da Ecoporé de integrar conhecimento científico, saberes tradicionais e participação comunitária, fortalecendo a bioeconomia e criando alternativas sustentáveis para a conservação da floresta em pé. Em um momento em que a Amazônia ocupa papel estratégico nos debates ambientais globais, iniciativas como a RESEBA demonstram que preservação e desenvolvimento podem caminhar juntos.
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Fonte: News Rondônia

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