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Banco Central explica que venda de carteiras do Banco Master motivou alerta

A estratégia do Banco Master de criar novas carteiras de investimentos para captar recursos no mercado, mesmo em meio a uma grave crise de liquidez, foi o ponto determinante para que o Banco Central (BC) identificasse irregularidades na gestão da instituição liderada por Daniel Vorcaro. A explicação foi dada nesta terça-feira (19) pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
O presidente da autoridade monetária detalhou a lógica financeira que levantou suspeitas dos fiscais. Segundo ele, um banco que enfrenta escassez de recursos deveria buscar a venda de ativos existentes para cobrir compromissos, e não o oposto. “Se você tem um banco com dificuldade de liquidez, você não forma carteira. Você vende. Como é que você está vendendo uma carteira nova? Foi isso que chamou a atenção do BC imediatamente”, esclareceu Galípolo.
Histórico de irregularidades e tentativas de venda
O Banco Central já mantinha o Master sob monitoramento intensivo. Em novembro de 2024, a instituição assinou um termo de compromisso para adequar sua governança, níveis de capital e liquidez em um prazo de seis meses. Diante da restrição para captar recursos com garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e da falha na atração de fundos de investimento, o Master intensificou a venda de carteiras de crédito para o Banco Regional de Brasília (BRB).
A operação entre o Master e o BRB é atualmente objeto de investigação da Polícia Federal, sob suspeita de fraude em cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos negociados. O Banco Central, por sua vez, vetou a tentativa do BRB de comprar integralmente o Banco Master. A liquidação extrajudicial da instituição de Vorcaro foi concretizada em 18 de novembro de 2025, após a frustração de outras tentativas de salvamento, incluindo uma proposta de supostos investidores árabes que sequer foram validados pelo BC.
Defesa contra risco sistêmico
Galípolo reforçou aos senadores que a liquidação do Banco Master não representava perigo para a estabilidade do sistema financeiro nacional. Segundo o dirigente, a instituição detinha menos de 0,5% do mercado bancário brasileiro. “O que tem chamado a atenção das pessoas é o que se fazia com o dinheiro que estava no Banco Master”, pontuou, referindo-se aos desvios e operações suspeitas que compõem o cerne das investigações criminais.
O presidente da autarquia também rebateu críticas sobre o processo de liquidação, argumentando que a medida não pode ser interpretada como uma punição aos gestores, mas sim como uma necessidade técnica diante da inviabilidade do banco. “Punir uma instituição que foi vítima de maus gestores é um equívoco. Liquidar uma instituição é algo que você só faz porque aquela instituição chegou a um ponto de insolvência”, concluiu.
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Fonte: News Rondônia

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