O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia começa a valer oficialmente nesta sexta-feira (1º), marcando uma mudança profunda no cenário das exportações brasileiras. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o tratado permitirá que mais de 80% dos produtos vendidos pelo Brasil ao bloco europeu tenham suas tarifas de importação zeradas nesta fase inicial. A eliminação dessas barreiras tributárias visa reduzir custos logísticos e financeiros, aumentando a competitividade das empresas nacionais frente a concorrentes globais.
A implementação do acordo estabelece uma conexão comercial estratégica entre 31 países, criando um mercado unificado de livre comércio. De imediato, mais de 5 mil itens produzidos no Brasil terão tarifa zero para entrar na Europa, abrangendo tanto o setor industrial quanto o agrícola. Atualmente, o Brasil possui acordos com países que representam apenas 9% das importações mundiais; com a inclusão da União Europeia, esse alcance comercial pode saltar para mais de 37%.
Setores industriais ganham competitividade imediata
A indústria brasileira é apontada como a principal beneficiada neste primeiro momento, uma vez que a maioria dos produtos com isenção imediata pertence ao setor de transformação. Dos 2.932 itens que terão as taxas eliminadas já no início da vigência, cerca de 93% (2.714) são bens industriais. Os demais produtos englobam matérias-primas e o setor alimentício, que também ganha novos espaços em um dos mercados mais exigentes do mundo.
De acordo com o levantamento setorial, os segmentos mais impactados positivamente são:
Máquinas e equipamentos: representam 21,8% dos produtos com redução imediata, com quase 96% das exportações do setor entrando na Europa sem tarifas.
Alimentos: somam 12,5% dos itens beneficiados.
Metalurgia: corresponde a 9,1% da lista inicial.
Materiais elétricos: abrangem 8,9% dos produtos isentos.
Produtos químicos: representam 8,1% das mercadorias com tarifa zero.
Cronograma de implementação e regulação
Embora o impacto inicial seja robusto, a eliminação total das tarifas ocorrerá de forma escalonada para proteger setores considerados sensíveis em ambos os blocos. Na União Europeia, o prazo de redução gradual chega a 10 anos, enquanto no Mercosul a transição pode durar até 15 anos. Em casos específicos, como no desenvolvimento de novas tecnologias, o período de adaptação pode se estender por até 30 anos.
As próximas etapas do processo envolvem a regulamentação, pelo governo brasileiro, de detalhes técnicos como a distribuição de cotas de exportação entre os sócios do Mercosul. Além disso, está prevista a criação de um comitê conjunto entre entidades empresariais dos dois blocos para monitorar a aplicação do tratado e oferecer suporte às empresas que desejam explorar as novas oportunidades de negócio no continente europeu.
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Fonte: News Rondônia