Indígenas de todas as regiões do Brasil começaram a ocupar o Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília, neste domingo, 5 de abril, para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026). Considerada a maior mobilização do gênero no país, o evento deste ano projeta a participação de até 8 mil pessoas, entre representantes dos 391 povos originários e apoiadores. Sob o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o acampamento abre o chamado Abril Indígena, focando na pressão pela homologação de novos territórios e na defesa dos direitos constitucionais frente a teses como a do marco temporal.
O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá, destacou que o eixo central das discussões permanece sendo o reconhecimento do direito originário à terra. Embora o governo federal tenha homologado 20 novos territórios entre 2023 e 2025, totalizando 2,5 milhões de hectares protegidos, o movimento afirma que o passivo de demarcação ainda é elevado. Atualmente, cerca de 110 áreas estão sob análise da União, e os líderes esperam que novos anúncios de criação de terras indígenas ocorram durante a semana de mobilização na capital federal.
Além da pauta territorial, o ATL 2026 incorpora debates sobre a crise climática e a participação política. Na próxima quinta-feira, 9 de abril, será lançada a iniciativa “Campanha Indígena”, que visa orientar e alavancar candidaturas de representantes dos povos originários nas eleições de 2026. O objetivo da Apib é fortalecer uma frente parlamentar que defenda os interesses indígenas no Congresso Nacional. Marchas pela Esplanada dos Ministérios também estão programadas, com a primeira marcada para terça-feira, em protesto contra projetos de lei que liberam a mineração em terras protegidas.
Para muitos participantes, como Cotinha Guajajara, que viajou 1,4 mil quilômetros do Maranhão até Brasília, o evento é uma oportunidade de expor a cultura local e cobrar a ampliação de áreas já homologadas que se tornaram insuficientes para as comunidades. Já para Oziel Ticuna, mestrando na UnB que acompanha a chegada de parentes do Amazonas, o ATL representa uma forma essencial de organização coletiva e proteção cultural. A programação do acampamento segue até o próximo sábado, 11 de abril, com mesas de debate sobre saúde, educação e relações internacionais.
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Fonte: News Rondônia