Organizações ambientais expressaram forte preocupação após o Supremo Tribunal Federal considerar parcialmente constitucionais duas leis estaduais, de Mato Grosso e de Rondônia, que proíbem a concessão de incentivos fiscais e terrenos públicos a empresas participantes da Moratória da Soja. O acordo voluntário, criado em 2006, compromete o setor produtivo a não comercializar soja vinda de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008 em troca de benefícios tributários e acesso a crédito.
Representantes de entidades ecológicas, como o Greenpeace Brasil, apontam que a decisão representa um retrocesso nas políticas de preservação ambiental. Segundo a coordenadora da entidade, Cristiane Mazzetti, a medida pode comprometer os avanços na redução do desmatamento na Amazônia e dificultar que o setor privado se engaje em compromissos climáticos futuros. A pressão sobre as empresas já provocou efeitos na cadeia produtiva, resultando no desligamento de entidades relevantes do acordo, como a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais.
Entendimento do STF e impactos no acordo
Ao julgar as ações diretas de inconstitucionalidade, o plenário do STF validou as restrições aos benefícios fiscais impostas pelos estados, determinando apenas que eventuais retiradas de incentivos respeitem a anterioridade tributária. Por outro lado, a Corte também reconheceu a constitucionalidade da própria Moratória da Soja, ordenando a extinção de processos judiciais que questionavam a legalidade do compromisso socioambiental.
A declaração da constitucionalidade das leis estaduais representa um retrocesso que pode, no médio prazo, reverter, como estudos recentes têm indicado, a boa notícia da redução do desmatamento na Amazônia no último ano.
Um estudo publicado na revista Science estima que a eventual extinção da Moratória da Soja poderia levar ao desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares nos próximos dez anos. Apesar de o tribunal ter respaldado a validade do pacto privado, ambientalistas consideram a manutenção das punições estaduais um desincentivo à adoção de práticas sustentáveis pela iniciativa privada.
Perguntas Frequentes
Quais estados tiveram leis validadas pelo Supremo Tribunal Federal?
O STF considerou parciais e constitucionais as legislações aprovadas nos estados de Mato Grosso e de Rondônia.
O que estabelece a Moratória da Soja criada em 2006?
Trata-se de um acordo privado em que empresas se comprometem a não comprar soja originária de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008.
Qual é o impacto previsto por cientistas caso o acordo seja enfraquecido?
Estudo publicado na revista Science aponta risco de desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia ao longo da próxima década.
Com informações de Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil
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Fonte: News Rondônia