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Prosa e Pesquisa: Jair Carvalho explica como usar Inteligência Artificial sem terceirizar o conhecimento

A Inteligência Artificial na educação já deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade nas salas de aula, universidades e centros de pesquisa. Diante desse cenário, o programa Prosa e Pesquisa recebeu o professor Jair Carvalho para discutir como estudantes, professores e pesquisadores podem utilizar essa tecnologia de forma ética, responsável e produtiva.
Especialista em Direito Penal, Segurança Pública e análise de dados, Jair Carvalho explicou que a IA representa uma das maiores transformações já vividas na produção do conhecimento. Entretanto, fez um alerta: o verdadeiro desafio não é aprender a usar a tecnologia, mas impedir que ela substitua a capacidade humana de pensar.

“A IA consegue fazer buscas direcionadas, compilar dados, organizar informações e acelerar processos. O potencial é enorme, mas não para substituir o pensamento humano. Ela existe para otimizar o nosso tempo.”

Segundo ele, compreender essa diferença será determinante para a formação das próximas gerações.
IA já mudou a forma de pesquisar
Durante a entrevista, Jair Carvalho explicou que boa parte do trabalho de pesquisa sempre envolveu tarefas repetitivas, como reunir documentos, organizar dados, classificar informações e revisar materiais.
Com a Inteligência Artificial, essas etapas passaram a ser realizadas em poucos minutos.
O professor citou como exemplo uma pesquisa sobre violência doméstica. Antes da IA, seria necessário consultar diversas bases de dados, reunir estatísticas oficiais, organizar planilhas, comparar informações e somente depois iniciar a análise científica.
Hoje, boa parte desse processo pode ser automatizada.

“Na produção do conhecimento voltado para a pesquisa, é uma ferramenta maravilhosa, revolucionária.”

Apesar da velocidade proporcionada pela tecnologia, ele reforçou que interpretar resultados, construir argumentos e tirar conclusões continuam sendo tarefas exclusivamente humanas.
O maior perigo é deixar a IA pensar por você
Um dos pontos centrais da entrevista foi o conceito de terceirização intelectual.
Segundo Jair Carvalho, esse é o maior risco do uso indiscriminado da Inteligência Artificial.
Para ele, muitos usuários passaram a delegar completamente à IA tarefas que deveriam exigir reflexão, análise crítica e construção própria do conhecimento.

“Eu decido. A IA não decide nada.”

O professor explicou que esse comportamento pode provocar um efeito contrário ao esperado.
Em vez de ampliar o aprendizado, a tecnologia passa a reduzir a capacidade de raciocínio das pessoas.

“Aquilo que deveria potencializar a aprendizagem pode acabar anulando o conhecimento.”

Na avaliação dele, esse desafio precisa ser debatido não apenas pelas universidades, mas também pelos sistemas de ensino e pelos formuladores de políticas públicas.
Trabalhos acadêmicos estão ficando parecidos
Ao falar da experiência em sala de aula, Jair Carvalho contou que já percebe um padrão repetitivo nos trabalhos entregues por estudantes.
Segundo ele, muitos textos apresentam praticamente a mesma estrutura, os mesmos argumentos e até a mesma forma de escrever.
Isso acontece porque diferentes alunos utilizam ferramentas semelhantes e fazem perguntas muito parecidas às plataformas de Inteligência Artificial.

“Quando você começa a ler os textos, percebe que são todos iguais. A IA trabalha com padrões.”

Para o professor, o problema não está na ferramenta.
O problema surge quando o estudante deixa de acrescentar sua própria análise, suas conclusões e sua visão crítica sobre o assunto pesquisado.
Como utilizar a IA de forma correta
Ao longo da conversa, Jair Carvalho apresentou um método que utiliza diariamente em pesquisas e projetos profissionais. Segundo ele, antes de abrir qualquer ferramenta de IA, o pesquisador precisa definir claramente qual problema deseja resolver. Depois disso, deve reunir documentos, legislação, artigos científicos, jurisprudência ou qualquer outra fonte confiável relacionada ao tema.
Somente após organizar essas informações é que a Inteligência Artificial entra como ferramenta de apoio. Ela pode estruturar textos, revisar a redação, organizar argumentos e melhorar a apresentação do conteúdo. Mas nunca deve decidir quais informações são verdadeiras ou quais conclusões serão apresentadas.

“Você toma as decisões, fornece os dados e verifica tudo. A IA apenas organiza e ajuda na escrita.”

Segundo ele, esse processo reduz significativamente erros e evita as chamadas “alucinações”, quando modelos de IA produzem informações inexistentes ou incorretas.
IA substitui professores?
Para Jair Carvalho, a resposta é objetiva: não.
Ele acredita que nenhuma tecnologia conseguirá substituir aspectos fundamentais da relação entre professor e aluno.
Entre eles estão a experiência, o olhar humano, a capacidade de inspirar e a construção da confiança durante o processo de aprendizagem.

“Nunca um modelo computacional vai substituir o calor humano e a segurança que um professor transmite dentro da sala de aula.”

Na avaliação dele, professores que aprenderem a utilizar a IA poderão dedicar mais tempo às atividades que realmente exigem interação humana, como orientação, acompanhamento individual e desenvolvimento do pensamento crítico.
IA é plágio?
Outro tema discutido durante a entrevista foi o uso da Inteligência Artificial na produção acadêmica.
Jair Carvalho explicou que ainda não existe consenso absoluto sobre o assunto.
Na opinião dele, um texto produzido com auxílio da IA não deve ser automaticamente considerado plágio.
Entretanto, apresentar um conteúdo gerado integralmente pela ferramenta como se fosse uma produção totalmente autoral representa um problema ético.

“É importante deixar claro quando a Inteligência Artificial foi utilizada como ferramenta de apoio na organização, revisão ou estruturação do texto.”

Segundo o professor, transparência será cada vez mais importante dentro das universidades.
Ferramentas podem acelerar a aprendizagem
Ao comentar as plataformas disponíveis atualmente, Jair Carvalho destacou que existem soluções específicas para diferentes atividades.
Algumas auxiliam na organização de documentos.
Outras trabalham com imagens, áudio, vídeos ou pesquisa científica.
Entre as ferramentas voltadas ao ambiente acadêmico, ele citou plataformas capazes de organizar materiais de estudo, criar resumos, estruturar apresentações e facilitar consultas rápidas durante pesquisas.
No entanto, reforçou que conhecer a ferramenta é tão importante quanto conhecer o próprio conteúdo estudado.
O futuro da educação
Ao analisar os próximos anos, Jair Carvalho acredita que a Inteligência Artificial continuará transformando o ensino em todo o mundo.
Ele citou mudanças realizadas pela China, que já adapta sua formação profissional às novas demandas tecnológicas.
No Brasil, porém, essa transformação deve acontecer de maneira mais gradual.
Independentemente da velocidade dessa mudança, ele considera que uma orientação continuará válida para estudantes, professores e pesquisadores.

“Estudem, entendam as ferramentas que vocês estão utilizando e não deleguem o seu conhecimento. A sua parte intelectual não pode ser substituída pela IA.”

Perguntas Frequentes
A Inteligência Artificial pode ser usada em pesquisas acadêmicas?
Sim. Segundo Jair Carvalho, a IA pode auxiliar na organização, classificação e revisão de informações, desde que as decisões intelectuais permaneçam sob responsabilidade do pesquisador.
A IA substitui professores?
Não. O professor acredita que a tecnologia potencializa o ensino, mas não substitui a experiência, o pensamento crítico e a relação humana construída em sala de aula.
É permitido usar IA em trabalhos acadêmicos?
Pode ser utilizada como ferramenta de apoio, desde que haja responsabilidade, revisão humana e transparência sobre seu uso.
Qual é o maior risco apontado pelo professor?
A chamada terceirização intelectual, quando estudantes deixam que a Inteligência Artificial pense e produza conteúdo por eles.
Como usar a IA de forma ética?
Utilizando-a para organizar dados, revisar textos e otimizar processos, mas mantendo a análise crítica, a interpretação e as decisões nas mãos do pesquisador.
A entrevista concedida por Jair Carvalho ao Prosa e Pesquisa mostrou que a Inteligência Artificial representa uma oportunidade inédita para ampliar a produtividade na educação e na pesquisa científica. Ao mesmo tempo, deixou claro que nenhuma ferramenta tecnológica substitui a capacidade humana de interpretar informações, formular argumentos e construir conhecimento.
Mais do que aprender a utilizar novas plataformas, o desafio passa a ser preservar aquilo que diferencia o ser humano das máquinas: a reflexão crítica, a criatividade e a responsabilidade intelectual. Como resumiu o professor durante o programa, “você toma a decisão e a IA executa”. Essa visão sintetiza um dos principais debates sobre educação na era da Inteligência Artificial.

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Fonte: News Rondônia

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