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Os animais que passam anos aguardando uma família

As grades dos canis e gatis costumam contar uma história silenciosa sobre o tempo dos animais. Enquanto filhotes despertam interesse logo nos primeiros dias disponíveis para adoção, muitos cães e gatos adultos observam sucessivas visitas sem serem escolhidos. Com o passar dos meses, parte deles envelhece nos abrigos e passa a integrar um grupo que enfrenta ainda mais dificuldades para encontrar uma família.
O cenário observado em São Paulo ajuda a ilustrar uma realidade presente em diferentes regiões do Brasil. Dados da Prefeitura de São Paulo mostram que, entre 332 animais disponíveis para adoção no Centro Municipal de Adoção, 84 eram considerados idosos. Em um período de 11 meses, apenas nove animais dessa faixa etária encontraram um novo lar, diante de 352 adoções realizadas no total. O resultado reforça um desafio enfrentado por organizações de proteção animal, programas públicos e protetores independentes que trabalham diariamente para ampliar as oportunidades de adoção para cães e gatos mais velhos.
A realidade também é acompanhada pela CasAdote, centro permanente de adoção localizado na Vila Madalena, na capital paulista. Segundo a organização, cães e gatos adultos e idosos costumam permanecer por períodos mais longos aguardando uma família quando comparados aos filhotes, perfil que continua sendo o mais procurado por interessados em adoção.
O fenômeno não está restrito à cidade de São Paulo. Entidades de proteção animal, campanhas de conscientização e estudos voltados à medicina de abrigos apontam que animais idosos possuem significativamente menos chances de adoção em todo o país. Em muitos casos, cães e gatos chegam à velhice dentro dos próprios abrigos, depois de anos aguardando uma oportunidade de convivência familiar.
Entre os fatores apontados para essa baixa procura está a percepção de que animais idosos exigiriam gastos veterinários mais frequentes. Outro receio recorrente envolve a expectativa de vida desses pets, já que parte dos adotantes teme enfrentar em pouco tempo o processo de despedida. Além disso, muitos interessados associam a adoção à busca por animais mais ativos ou que possam acompanhar determinadas rotinas familiares.

Especialistas e organizações de proteção animal, entretanto, destacam que algumas características dos animais idosos podem representar vantagens para determinados perfis de tutores. Diferentemente dos filhotes, cães e gatos mais velhos já possuem comportamento definido, permitindo que o adotante conheça previamente aspectos relacionados à convivência. Também costumam apresentar adaptação mais rápida às regras da casa e demandar menos mudanças de rotina durante o processo de integração.
Na tentativa de mudar esse cenário, programas públicos e entidades têm criado iniciativas voltadas à chamada adoção tardia. Na capital paulista, por exemplo, existe o programa Cuida Bem Idoso, que oferece atendimento veterinário prioritário e vitalício para cães e gatos idosos adotados por meio do Centro Municipal de Adoção. A medida busca reduzir parte das preocupações relacionadas aos cuidados de saúde desses animais.
Campanhas de conscientização também procuram ampliar o debate sobre o envelhecimento dos animais acolhidos em abrigos. O objetivo é estimular uma avaliação baseada não apenas na idade, mas na compatibilidade entre o perfil do pet e o estilo de vida do futuro tutor.
Enquanto filhotes continuam atraindo a maior parte da atenção, centenas de cães e gatos idosos seguem aguardando uma oportunidade. Para organizações de proteção animal, ampliar a visibilidade desses pets representa não apenas aumentar os índices de adoção, mas também reduzir o tempo de permanência nos abrigos e oferecer a eles a possibilidade de viver a última fase da vida em ambiente familiar. Em São Paulo e em outras cidades brasileiras, essa continua sendo uma das principais metas das campanhas de adoção responsável.

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Fonte: News Rondônia

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