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A possibilidade de um acordo de colaboração premiada firmado por Daniel Vorcaro enfrenta resistência tanto na Polícia Federal (PF) quanto na Procuradoria-Geral da República (PGR). Embora a PF já tenha sinalizado internamente que tende a rejeitar a nova proposta apresentada pelo ex-controlador do Banco Master, a PGR ainda não concluiu sua análise e mantém o tema em avaliação.
Nos bastidores, segundo apuração confirmada pelo Conexão Política, a expectativa é que uma definição seja tomada nos próximos dias. Integrantes das investigações consideram desejável que os dois órgãos adotem uma posição convergente sobre o caso, evitando decisões contraditórias em uma apuração considerada estratégica.
Na semana passada, os advogados de Vorcaro protocolaram uma nova versão da proposta de delação, que posteriormente recebeu complementações. Até o momento, não há previsão de novos ajustes ou anexos adicionais por parte da defesa.
O principal obstáculo apontado pelos investigadores está relacionado à comprovação das informações apresentadas pelo ex-banqueiro. Segundo fontes ligadas ao caso, os relatos precisam ser acompanhados de documentação capaz de confirmar os fatos narrados, requisito considerado essencial para a validação de qualquer acordo de colaboração.
A obtenção desse material, contudo, não é simples. Com a liquidação do Banco Master decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado e a nomeação de um liquidante para administrar a instituição, o acesso a documentos e registros internos passou a depender de procedimentos formais que demandam tempo.
Esse cenário é apontado como uma das razões para que a PGR não tenha descartado imediatamente a proposta apresentada por Vorcaro. Outro fator considerado pelas autoridades é a necessidade de que o investigado demonstre disposição efetiva para colaborar, assumindo eventual participação em irregularidades e apresentando informações relevantes sobre terceiros eventualmente envolvidos.
Além da comprovação documental, os órgãos responsáveis avaliam se a colaboração oferece elementos inéditos que possam abrir novas linhas de investigação. A recuperação de recursos também é considerada um ponto central nas negociações.
As primeiras versões dos anexos entregues pela defesa, em maio, foram recebidas com ceticismo por investigadores da PF e da PGR. Na avaliação de integrantes das apurações, o material apresentado continha informações consideradas insuficientes para justificar um acordo nos moldes pretendidos.
Um dos aspectos observados foi a ausência de referências a determinados episódios já conhecidos pelas autoridades. Entre eles, suspeitas envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), posteriormente incluídas em uma das fases da Operação Compliance Zero. Embora a investigação sobre esse núcleo já estivesse avançada, investigadores entenderam que o tema deveria ter sido abordado na colaboração.
Outro ponto que chamou atenção foi a ausência de menções ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens divulgadas anteriormente indicaram que Vorcaro teria dado prioridade ao aporte financeiro do projeto após cobranças do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em meio às negociações, houve mudanças na equipe jurídica do ex-banqueiro. Em maio, o advogado Luis Oliveira Lima deixou a condução do caso. Permaneceu na defesa Sérgio Leonardo, profissional que mantém relação pessoal com Vorcaro há décadas.
Recentemente, o ministro André Mendonça autorizou o retorno de Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da PF em Brasília. O espaço já havia sido utilizado anteriormente durante as tratativas relacionadas à colaboração premiada.
As autoridades também buscam avançar na recuperação dos valores associados às supostas fraudes investigadas. A estimativa considerada pelos investigadores aponta prejuízos superiores a R$ 57 bilhões decorrentes do colapso do Banco Master. Por ser apontado como figura central do esquema apurado, Vorcaro enfrenta exigências mais rigorosas nas negociações envolvendo eventual acordo de colaboração.
Fonte: Conexão Política