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Jovens elaboram carta para conferência da ONU sobre água

Jovens de comunidades periféricas e territórios vulnerabilizados participaram neste sábado (6), no Rio de Janeiro, de um encontro voltado ao debate sobre acesso à água, saneamento básico e resiliência climática. A mobilização resultará na elaboração da Declaração das Juventudes, documento que será encaminhado a autoridades brasileiras e à Conferência de Águas da Organização das Nações Unidas (ONU), prevista para ocorrer nos Emirados Árabes Unidos.
Realizado na Fundição Progresso, na região da Lapa, o encontro reuniu ativistas, especialistas, lideranças comunitárias e representantes de organizações da sociedade civil para discutir soluções voltadas à garantia do direito à água e ao fortalecimento da participação social nos debates ambientais.
A iniciativa acontece em um momento de crescente preocupação global com a segurança hídrica e os impactos das mudanças climáticas. A Conferência de Águas da ONU é considerada um dos principais fóruns internacionais dedicados ao tema e busca ampliar a cooperação entre países para enfrentar desafios relacionados aos recursos hídricos.
Durante os debates, a especialista em planejamento urbano Andrea Pulici destacou a necessidade de ampliar os investimentos em saneamento básico para que o Brasil alcance as metas previstas no Marco Legal do Saneamento até 2033. O objetivo é garantir acesso à água tratada para 99% da população e cobertura de coleta e tratamento de esgoto para 90% dos brasileiros.
Segundo a especialista, mais importante do que discutir apenas o volume de recursos necessários é refletir sobre os impactos causados pela falta desses investimentos.

“Quanto vale ter uma comunidade inteira sem medo de uma inundação? Quanto custa para uma família ter acesso à água e aos serviços básicos?”, questionou.

Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico indicam que 84,1% da população brasileira possui acesso à rede de abastecimento de água, enquanto apenas 62,3% contam com coleta de esgoto. Já o tratamento do esgoto alcança 51,8% do volume gerado no país.
A ativista Johari Silva, da organização Ação da Cidadania, ressaltou que o acesso à água está diretamente ligado à dignidade humana e à garantia de direitos fundamentais.

“Sem água não existe dignidade, saúde ou segurança alimentar. Precisamos ouvir as comunidades que vivem diariamente os impactos da falta desse recurso“, afirmou.

A elaboração da Declaração das Juventudes é vista pelos organizadores como uma oportunidade para levar as demandas das periferias, comunidades tradicionais, povos indígenas e populações ribeirinhas ao centro das discussões internacionais.
Para a diretora de Planejamento da organização Águas Resilientes, Verena Meirelles, ouvir quem enfrenta os problemas relacionados ao acesso à água é essencial para a construção de políticas públicas mais eficazes.

“Não podemos deixar essa pauta para depois. Precisamos agir agora e com a participação de todos“, destacou.

O fundador da instituição, Erleyvaldo Bispo, lembrou que a crise hídrica ainda afeta bilhões de pessoas em todo o mundo. Segundo ele, cerca de 2,2 bilhões de pessoas não possuem acesso seguro à água, enquanto aproximadamente 35 milhões de brasileiros enfrentam dificuldades relacionadas ao abastecimento.
Além do debate sobre água e saneamento, o encontro também destacou o papel da juventude na construção de soluções para a crise climática. Especialistas apontaram que jovens de comunidades urbanas, áreas rurais e regiões tradicionais têm assumido protagonismo cada vez maior em pautas ambientais e sociais.
A expectativa é que a carta produzida durante o evento contribua para fortalecer a participação da sociedade civil nas decisões globais sobre recursos hídricos, reforçando a importância da água como direito fundamental e elemento central para o desenvolvimento sustentável.
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Fonte: News Rondônia

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