Os Acordos de Abraão, firmados durante o primeiro mandato de Trump por nações como Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão, buscam a normalização diplomática com Israel. Em 2025, o Cazaquistão também aderiu ao pacto. Atualmente, o ex-presidente condiciona negociações de paz com o Irã à adesão de novos países, como Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia. Trump argumenta que os países signatários experimentaram um “boom econômico” após a adesão.
Impacto para a causa palestina
Especialistas em relações internacionais avaliam as consequências políticas e humanitárias dessa pressão:
Traição diplomática: Segundo Rashmi Singh, da PUC Minas, os acordos desvinculam a normalização com Israel da questão palestina, rompendo um consenso árabe de longa data que condicionava a paz à resolução do conflito.
Isolamento: O professor Mohammed Nadir, da UFABC, aponta que o objetivo é remover o isolamento de Israel após crimes contra palestinos em Gaza, deixando a população palestina sem apoio regional.
Carta branca para Israel: Singh alerta que o sucesso dessa política daria a Israel carta branca para intensificar a ocupação militar, o regime de apartheid e a limpeza étnica, inviabilizando a criação de um Estado palestino.
Cenário de tensões e expansão territorial
A pressão ocorre em um contexto de denúncias internacionais sobre a expansão de assentamentos ilegais na Cisjordânia e ataques de colonos israelenses. Além disso, o governo de Benjamin Netanyahu manifestou a intenção de ampliar o controle sobre a Faixa de Gaza para 70% do território, movimento criticado até por aliados como a Alemanha.
Enquanto Trump busca fortalecer a hegemonia israelense na região, Mohammed Nadir caracteriza a postura do ex-presidente como alinhada a correntes messiânicas que visam eternizar a Nakba termo utilizado pelos palestinos para descrever o êxodo de 1948. Contudo, uma nova aliança diplomática entre potências como Arábia Saudita, Paquistão, Turquia, Omã e Catar, surgida durante a guerra com o Irã, pode servir como uma barreira de proteção, ainda que parcial, aos palestinos.
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Fonte: News Rondônia