O Banco de Brasília (BRB) anunciou uma mudança estratégica no seu processo de aumento de capital, passando a aceitar aportes parciais de recursos. A nova regra permite a realização de homologações intermediárias dos valores internalizados até o limite de 8,8 bilhões de reais, para posterior autorização do Banco Central. Segundo o banco, o modelo possibilita que os recursos aportados produzam efeitos no capital de forma gradual, agilizando o processo antes restrito à aprovação final total da captação.
Paralelamente, a instituição prorrogou até o dia 3 de junho o prazo para que os atuais acionistas exerçam seu direito de preferência na compra de novas ações. O banco pode emitir papéis ordinários e preferenciais ao preço unitário de 5,36 reais. Com a operação, o objetivo é elevar o capital social do BRB, que hoje é de aproximadamente 2,34 bilhões de reais, buscando reforçar sua saúde financeira e atender às exigências regulatórias.
Crise e negociações de socorro
O BRB atravessa um período de grave crise institucional desencadeada em novembro de 2025 pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As investigações revelaram um prejuízo bilionário decorrente da aquisição de ativos podres do Banco Master, levando à prisão do ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, e de Daniel Vorcaro, controlador do Master. O prejuízo estimado supera os 10 bilhões de reais, e o banco ainda aguarda a regularização de suas demonstrações financeiras.
Para garantir a continuidade operacional, o Governo do Distrito Federal (GDF) articula um socorro bilionário junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com mediação do Supremo Tribunal Federal (STF). O plano em discussão prevê um empréstimo de cerca de 6,6 bilhões de reais, que contará com a fiança de um sindicato de bancos públicos e privados. Como contrapartida para a operação, o Distrito Federal ofereceu recursos provenientes dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM) como garantia.
A audiência de conciliação conduzida pelo ministro Luiz Fux busca viabilizar o acordo sem o aval direto da União, focando na sustentabilidade financeira do Distrito Federal. O avanço dessas negociações é considerado vital pelo governo federal, dada a dimensão do impacto que uma eventual liquidação do banco poderia causar ao Fundo Garantidor de Créditos, estimado em 17 bilhões de reais.
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Fonte: News Rondônia