As mudanças climáticas já impactam diretamente a rotina de 85% dos brasileiros, segundo levantamento realizado pelo Aurora Lab em parceria com a organização More in Common.
A pesquisa, obtida com exclusividade pela Agência Brasil, mostra que quase metade dos entrevistados considera os efeitos da crise climática intensos no cotidiano.
O estudo ouviu 2.630 pessoas em nove capitais brasileiras e analisou a percepção da população sobre os impactos ambientais, sociais e econômicos da transição para fontes de energia limpa.
Entre os principais problemas relatados pelos participantes aparecem o aumento do custo de vida, questões de saúde e dificuldades relacionadas ao trabalho.
Segundo os dados, 53% afirmaram que as mudanças climáticas elevaram os custos do dia a dia. Outros 45% relataram problemas de saúde física associados aos eventos climáticos extremos.
As dificuldades de deslocamento até o trabalho atingem 40% dos entrevistados, enquanto 32% afirmaram enfrentar impactos na saúde mental.
A pesquisa também identificou efeitos econômicos diretos. Cerca de 17% disseram ter perdido renda devido às mudanças climáticas, enquanto 10% afirmaram ter perdido o emprego.
O levantamento aponta ainda que a maior parte da população acredita que o governo deve liderar ações de proteção aos trabalhadores diante dos impactos ambientais.
Segundo o estudo, 67% dos brasileiros defendem que o Estado seja o principal responsável por criar políticas de proteção social e trabalhista relacionadas à crise climática.
Empregadores foram citados por apenas 7% dos entrevistados como principais responsáveis por garantir proteção aos trabalhadores nesse cenário.
A diretora-executiva do Aurora Lab, Gabriela Vuolo, afirmou que os dados revelam preocupação com a falta de responsabilização das empresas diante dos desafios climáticos.
O estudo também mostra elevado nível de conscientização sobre a necessidade de mudanças nos modelos de produção e consumo.
Para 93% dos entrevistados, a sociedade precisa transformar hábitos econômicos e ambientais para enfrentar a crise climática.
A maioria acredita que a transição energética poderá trazer benefícios para o mercado de trabalho. Segundo a pesquisa, 67% avaliam que a mudança para fontes de energia limpa tende a gerar novas oportunidades de emprego.
Apenas 10% acreditam que o processo resultará em redução de vagas de trabalho.
Outro ponto analisado foi o impacto social da transição energética. Cerca de 45% dos entrevistados acreditam que as mudanças podem reduzir desigualdades sociais no Brasil.
Já 40% consideram que as desigualdades devem aumentar ou permanecer no mesmo nível.
Mesmo em meio ao avanço das fake news, o levantamento mostra que a ciência segue como principal referência de confiança sobre temas climáticos.
Universidades e cientistas foram apontados como fontes mais confiáveis por 69% dos entrevistados.
Ao mesmo tempo, as redes sociais aparecem como principal meio de acesso às informações sobre mudanças climáticas para 65% da população ouvida.
A pesquisa “Clima, Trabalho e Transição Justa” será apresentada durante o encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”.
As entrevistas foram realizadas entre maio e setembro de 2025 com pessoas a partir de 16 anos nas cidades de Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
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Fonte: News Rondônia