Fenômeno climático previsto para os próximos meses preocupa cientistas diante do avanço do aquecimento global, da elevação das temperaturas dos oceanos e do risco de secas severas, enchentes históricas e incêndios florestais em diferentes regiões do planeta.
Nada é tão devastador quanto aquilo que os cientistas ainda não conseguem prever com exatidão. O El Niño deste ano poderá fazer com que a humanidade sinta, na própria pele, os efeitos climáticos da destruição provocada pelo homem ao longo das últimas décadas.
Há mais de 60 anos, cientistas alertam governantes sobre a necessidade de redobrar os cuidados com o planeta, principalmente em relação ao desmatamento e à emissão desenfreada de gases poluentes lançados na atmosfera desde a Revolução Industrial. O tempo passou, mas muitos desses alertas foram ignorados. Hoje, os especialistas já não falam apenas em prevenção: relatam, cada vez mais, as catástrofes que atingem o planeta justamente porque a humanidade deixou de fazer, há décadas, o dever de casa ambiental.
O exemplo mais próximo é o fenômeno El Niño, que, segundo cientistas e meteorologistas, deve começar a se manifestar entre o fim de maio e o início de junho. Sua chegada vem sendo cercada por preocupação e temor. O motivo está no aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, próximo à linha do Equador.
Diagnosticar a intensidade do fenômeno tem sido uma tarefa difícil até mesmo para os mais avançados sistemas de monitoramento climático já desenvolvidos pelo homem, tamanha é a instabilidade apresentada neste ano. Há especialistas que afirmam que o El Niño poderá “redesenhar os mapas climáticos globais”, provocando enchentes, secas severas e incêndios florestais em diferentes partes do planeta, tudo isso em meio ao agravamento do aquecimento global.
O temor cresce porque os eventos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos. Ondas de calor históricas, estiagens prolongadas, tempestades violentas e queimadas recordes já fazem parte da realidade de diversas regiões do mundo. Para muitos cientistas, o El Niño poderá atuar como um catalisador de uma crise climática que já está em curso.
O evento poderá, segundo especialistas, ser classificado como um “Super El Niño”, com impactos severos em escala global. Os modelos usados para medir a temperatura das águas do Pacífico Equatorial, onde o fenômeno se desenvolve, vêm apontando para um cenário extremo. Modelos climáticos europeus reforçam essa possibilidade.
“Um Super El Niño ocorre quando as temperaturas do oceano ficam mais de 2 graus acima da média. Alguns modelos computacionais normalmente confiáveis, como o conjunto de modelos europeus, estão projetando exatamente esse resultado para esta edição”, explicou o meteorologista André Freedman, da CNN Clima.
Na prática, o El Niño funciona de forma oposta à La Niña. Enquanto o fenômeno frio favorece chuvas em algumas regiões, o El Niño impulsiona cenários de calor extremo, secas severas e incêndios florestais. Na Amazônia, o ano de 2024 já demonstrou parte desse cenário, com rios atingindo níveis historicamente baixos e queimadas que devastaram áreas inteiras da floresta, muitas delas provocadas pela ação humana.
Além dos impactos ambientais, os prejuízos econômicos também entram na conta. Agricultura, abastecimento de água, produção de energia e transporte fluvial estão entre os setores mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno.
Os cientistas explicam que, para a ocorrência do El Niño, é necessário um processo conhecido como “acoplamento oceano-atmosfera”. Isso significa que oceano e atmosfera precisam interagir de maneira específica para que o fenômeno ganhe força.
Segundo o cientista climático Nat Johnson, em entrevista recente à CNN, “neste momento, enormes volumes de água excepcionalmente quente estão se espalhando sob a superfície do oceano, do Pacífico tropical ocidental para o oriental, onde essa água sobe lentamente à superfície, num claro precursor do El Niño. Áreas periódicas de vento soprando de oeste para leste têm ajudado a transportar essa água, num fenômeno conhecido como rajadas de vento oeste”.
Mais do que um fenômeno natural, o El Niño deste ano surge como um lembrete de que a natureza responde, cada vez com mais intensidade, às agressões causadas pela própria humanidade.
O que se sabe até o momento é que 2026 e 2027 podem entrar para a história como alguns dos anos mais quentes já registrados, dependendo diretamente da intensidade do fenômeno que começa a se formar entre o fim deste mês e o início de junho. O comportamento do El Niño também deverá responder se as temperaturas globais irão superar os recordes monitorados desde o século XIX, quando os dados climáticos passaram a ser oficialmente registrados.
Diante de tantas incertezas, uma constatação parece inevitável: o homem fez pouco o dever de casa ambiental e, agora, poderá pagar para ver as consequências. Com informações de CNN Clima Internacional.
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Fonte: News Rondônia