O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, declarou na manhã desta quarta-feira, 20 de maio, que é contra uma nova reforma da Previdência nos moldes das mudanças anteriores. Durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, o chefe da pasta afirmou que alterações no sistema previdenciário costumam penalizar diretamente os trabalhadores brasileiros.
Ao responder sobre possíveis novas reformas para adequar o sistema previdenciário, Wolney Queiroz foi enfático ao afirmar que não defende mudanças que aumentem o tempo de contribuição ou ampliem os custos para quem trabalha.
“Trabalhador e trabalhadora do Brasil, preste atenção nesse recado aqui do ministro. Quando você ouvir falar em reforma da Previdência, lembre-se sempre o seguinte: ela vai tirar dinheiro do seu salário pra você pagar mais, ela vai fazer com que o tempo pra se aposentar seja maior ou ela vai aumentar a alíquota. Ou os três”, declarou.
Durante a entrevista, o ministro também criticou a forma como o debate sobre reformas previdenciárias costuma ser conduzido no país. Segundo ele, muitas vezes as decisões são discutidas longe da realidade enfrentada pela população trabalhadora.
“O pessoal que fala de reforma da Previdência geralmente está no ar-condicionado, no carpete e numa cadeira bem fofinha. Não sabe o que significa um ou dois anos a mais para quem trabalha no braçal, pega ônibus lotado e enfrenta uma rotina pesada todos os dias”, afirmou.
Defesa dos trabalhadores
Wolney Queiroz destacou que trabalhadores de atividades mais desgastantes são os mais afetados quando há aumento na idade mínima ou no tempo de contribuição para aposentadoria.
Segundo ele, profissões que exigem esforço físico intenso tornam injusta qualquer proposta que obrigue o cidadão a permanecer mais tempo no mercado de trabalho.
“Daqui a pouco a gente vai querer que a pessoa trabalhe até morrer. Eu sou contra a reforma”, disse o ministro durante a entrevista.
Previdência sustentável sem retirar direitos
Apesar da posição contrária a novas reformas que endureçam regras, o ministro reconheceu que o sistema previdenciário precisa de equilíbrio e sustentabilidade a longo prazo. No entanto, ele defendeu alternativas técnicas e inteligentes que não prejudiquem os trabalhadores.
“A gente precisa construir uma Previdência que não precise piorar a situação do trabalhador e da trabalhadora. Melhorar mecanismos, criar gatilhos inteligentes e garantir a longevidade do sistema sem sacrificar quem trabalha”, explicou.
A declaração repercutiu rapidamente nas redes sociais e entre especialistas da área econômica e previdenciária, reacendendo o debate sobre o futuro da aposentadoria no Brasil e os impactos das reformas realizadas nos últimos anos.
Reforma de 2019 ainda gera debates
A última grande reforma da Previdência foi aprovada em 2019, durante o governo federal da época, alterando regras de aposentadoria, idade mínima, tempo de contribuição e cálculo de benefícios.
Desde então, o tema segue sendo um dos mais sensíveis da política econômica brasileira, principalmente diante do envelhecimento da população e do desafio de manter o equilíbrio das contas públicas.
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Fonte: News Rondônia