As refinarias da Petrobras atingiram níveis históricos de operação e chegaram a funcionar acima de 100% da capacidade instalada em maio de 2026. O aumento da produção ocorre em um momento de forte pressão internacional sobre os preços do petróleo e dos combustíveis, impulsionada por tensões geopolíticas e conflitos no Oriente Médio.
A informação foi confirmada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante apresentação do balanço trimestral da companhia.
Segundo a Petrobras, o chamado Fator de Utilização Total (FUT) alcançou 95% no primeiro trimestre do ano. Em março, o índice chegou a 97,4%, o maior patamar registrado desde 2014.
Nos meses de abril e maio, porém, o indicador ultrapassou oficialmente a marca de 100%. De acordo com o diretor de Processos Industriais e Produtos da companhia, William França, algumas refinarias chegaram a operar entre 102% e 103% da capacidade.
“A Petrobras não gosta de limites. Sua meta é superar limites todos os dias”, afirmou Magda Chambriard durante a apresentação aos investidores.
O FUT mede o volume de petróleo processado em relação à capacidade de referência das refinarias. Quando o indicador atinge 100%, significa que as unidades estão operando no limite originalmente projetado.
Mesmo assim, a Petrobras explica que é possível ultrapassar esse percentual com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), desde que sejam respeitados critérios de segurança operacional, qualidade e meio ambiente.
A estratégia faz parte do esforço da estatal para aumentar a produção nacional de combustíveis e reduzir a dependência do mercado internacional em um cenário de volatilidade global.
Segundo William França, o aumento da capacidade operacional também está ligado à redução do número de paradas para manutenção em 2026.
A Petrobras realizou uma série de intervenções preventivas no ano passado para ampliar a confiabilidade das refinarias e permitir campanhas mais longas de operação contínua.
“Bombas que antes operavam 70% do tempo agora conseguem operar 90% antes de uma nova intervenção”, explicou o diretor.
Outro fator apontado pela companhia foi o aumento da rentabilidade no refino em meio ao cenário internacional.
Com a valorização dos derivados de petróleo, a Petrobras passou a ampliar o processamento interno de petróleo bruto para agregar mais valor à produção antes da exportação.
A estatal também destacou recordes recentes de produção em refinarias estratégicas, como a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
A unidade, localizada em Ipojuca, atingiu em abril a maior produção de diesel S-10 de sua história, combustível considerado menos poluente.
Segundo a Petrobras, a refinaria passou recentemente por um processo de manutenção que permitiu elevar a produção diária para até 150 mil barris por dia, acima da capacidade inicial de projeto.
Atualmente, a Petrobras opera 11 refinarias no país. A maior delas é a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, responsável por cerca de 30% de todo o refino de petróleo brasileiro.
O aumento da produção ocorre em meio ao esforço do Brasil para ampliar a oferta de combustíveis no mercado interno, reduzir oscilações externas e fortalecer a capacidade energética nacional.
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Fonte: News Rondônia