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Golpe do amor: especialista alerta para avanço do estelionato sentimental na era digital

O crescimento dos relacionamentos virtuais e da exposição nas redes sociais abriu espaço para um tipo de crime silencioso, cruel e cada vez mais comum: o estelionato sentimental. O tema foi debatido no programa Prosa & Pesquisa, apresentado pela Dra. Denise, com participação do advogado e pesquisador Vinícius Alves, especialista em crimes digitais e presidente da Comissão de Direito Digital e Crimes de Alta Tecnologia da OAB Rondônia.
Durante a entrevista, Vinícius explicou que o estelionato sentimental acontece quando criminosos utilizam vínculos emocionais para manipular vítimas e obter vantagens financeiras. Segundo ele, o golpe ganhou força principalmente com o avanço das redes sociais e aplicativos de relacionamento.

“Os golpistas não escolhem vítimas aleatoriamente. Eles analisam perfis, estudam comportamentos, interesses, fragilidades emocionais e montam personagens quase perfeitos para conquistar confiança”, destacou o pesquisador.

Redes sociais viraram ferramenta dos golpistas
De acordo com Vinícius, a exposição excessiva na internet facilita o trabalho dos criminosos. Fotos, locais frequentados, gostos pessoais, viagens, rotina e até músicas preferidas podem ser usados para construir abordagens personalizadas.
O especialista explicou que muitos criminosos criam perfis falsos extremamente convincentes, simulando afinidades e interesses em comum para gerar identificação emocional rápida.
“A pessoa entrega praticamente um dossiê da própria vida nas redes sociais. O golpista observa tudo, desde onde ela frequenta até o tipo de relacionamento que deseja viver”, afirmou.
Segundo ele, muitas vítimas acreditam ter encontrado alguém “perfeito”, sem perceber que estão diante de uma estratégia cuidadosamente planejada.
Mulheres acima dos 40 anos estão entre os principais alvos
Durante o programa, o pesquisador ressaltou que mulheres acima dos 40 anos aparecem entre os grupos mais atingidos por esse tipo de golpe. Ele atribui isso a fatores sociais, emocionais e culturais ligados à autoestima, solidão e pressão estética.
“O criminoso se aproveita de vulnerabilidades emocionais criadas pela própria sociedade, que muitas vezes impõe à mulher uma ideia de perda de valor com o passar da idade”, explicou.
Apesar disso, Vinícius destacou que homens também são vítimas, principalmente em golpes ligados a falsas promessas afetivas, perfis de “sugar daddy” e relacionamentos envolvendo interesse financeiro.
Trauma emocional pode ser maior que a perda financeira
Um dos pontos mais fortes da entrevista foi o relato sobre os impactos emocionais sofridos pelas vítimas. Segundo o especialista, muitas pessoas desenvolvem traumas profundos após descobrirem que viveram um relacionamento baseado em manipulação.
Ele relatou casos em que vítimas perderam a confiança em amizades, relacionamentos e até em si mesmas.
“Não é apenas sobre dinheiro. Muitas vítimas relatam sensação de violência emocional, vergonha, culpa e dificuldade para voltar a confiar nas pessoas”, comentou.
O advogado revelou ainda que já atuou em casos nos quais vítimas conseguiram recuperar valores financeiros, mas permaneceram emocionalmente abaladas.
Estelionato sentimental ainda não possui tipificação específica
Vinícius explicou que, apesar de o termo já ser reconhecido pela Justiça e pela doutrina jurídica, o estelionato sentimental ainda não possui tipificação específica no Código Penal brasileiro.
Atualmente, os casos são enquadrados por analogia ao crime de estelionato tradicional. Segundo ele, já existem projetos de lei em tramitação para incluir oficialmente o estelionato sentimental no artigo 171 do Código Penal.
O pesquisador defende que a criação da tipificação específica é fundamental para fortalecer o combate ao crime e ampliar a proteção às vítimas.
Especialista orienta vítimas a não apagarem provas
Ao final da entrevista, Vinícius deixou orientações importantes para quem já sofreu esse tipo de golpe.
Ele recomenda guardar todas as conversas, comprovantes de transferências, fotos, prints e mensagens trocadas com o suspeito. Também orienta procurar apoio psicológico, registrar boletim de ocorrência e buscar assistência jurídica especializada.
Além disso, fez um alerta para familiares e amigos evitarem julgamentos.
“Nunca diga para a vítima que era óbvio ou que ela deveria ter percebido antes. Isso só aumenta o sofrimento emocional de quem já está fragilizado”, afirmou.
O que você precisa saber

Estelionato sentimental usa vínculos emocionais para aplicar golpes financeiros.
Redes sociais e aplicativos são as principais ferramentas dos criminosos.
Mulheres acima dos 40 anos aparecem entre os grupos mais vulneráveis.
O trauma emocional pode ser mais grave que a perda financeira.
Especialistas recomendam guardar provas e procurar ajuda jurídica e psicológica.

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Fonte: News Rondônia

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