O Ministério Público de Rondônia (MPRO) recomendou aos municípios de Cacoal e Ministro Andreazza a criação de políticas de cotas raciais em concursos públicos municipais. A iniciativa busca ampliar o acesso de pessoas negras, indígenas e quilombolas ao serviço público e reduzir desigualdades raciais históricas.
As recomendações foram expedidas pela 2ª Promotoria de Justiça de Cacoal e assinadas pela promotora de Justiça Claudia Machado dos Santos Gonçalves. Os documentos orientam que os prefeitos encaminhem, no prazo de 30 dias, projetos de lei às Câmaras Municipais para regulamentar a reserva de vagas nos certames públicos.
As cotas raciais são consideradas políticas de ação afirmativa e têm como objetivo garantir maior representatividade de grupos historicamente afetados pela exclusão social e racial em universidades, concursos e processos seletivos.
O MPRO recomenda que os municípios estabeleçam percentuais compatíveis com a realidade local, além de regras claras para inscrição, classificação e convocação dos candidatos beneficiados pelas políticas afirmativas.
Os documentos também sugerem a adoção de critérios de autodeclaração étnico-racial e a criação de comissões de heteroidentificação. Esses grupos são responsáveis por verificar se a autodeclaração apresentada pelos candidatos atende aos critérios previstos em lei, reduzindo riscos de fraudes nos processos seletivos.
Segundo o Ministério Público, a medida está alinhada aos princípios da Constituição Federal, que prevê igualdade material e combate à discriminação racial. As recomendações também citam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), legislações estaduais, normas federais e tratados internacionais que reconhecem a validade das ações afirmativas como instrumentos de inclusão social.
O órgão ministerial destacou ainda que a atuação prioriza o diálogo institucional com os municípios, por meio de recomendações, reuniões e audiências públicas, buscando fortalecer políticas públicas voltadas à igualdade racial e ao acesso mais democrático ao serviço público.
A discussão sobre cotas raciais em concursos públicos tem avançado em diferentes regiões do país nos últimos anos, especialmente após decisões do STF que validaram políticas afirmativas como mecanismos legais de enfrentamento das desigualdades históricas no Brasil.
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Fonte: News Rondônia