O governo brasileiro iniciou uma ofensiva diplomática para estabelecer rotas aéreas diretas entre o Brasil e o Senegal, na África Ocidental. Atualmente, a falta de conexões diretas obriga passageiros a realizarem trajetos ilógicos, como voar até Dubai ou hubs europeus para alcançar Dacar, transformando uma viagem de menos de 3 mil km distância entre Natal (RN) e a capital senegalesa em um deslocamento de quase 15 mil km. A embaixadora brasileira em Dacar, Daniella Xavier, afirmou à Agência Brasil que a medida é vital para reduzir custos e fomentar o turismo e o comércio bilateral.
A estratégia envolve parcerias de codeshare (compartilhamento de voos) entre empresas privadas brasileiras e a estatal Air Senegal, além de cooperação com companhias de países como Marrocos e Etiópia. “O comércio e o turismo não têm escala por falta de conexões, e as conexões não se fazem por falta de escala”, pontuou a diplomata durante o Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança, encerrado nesta terça-feira (21). A meta é integrar não apenas as duas nações, mas facilitar o acesso de vizinhos da América Latina e do Caribe ao continente africano.
No campo econômico, a relação entre os países vive um momento de expansão. Em 2025, o intercâmbio comercial atingiu US$ 386,1 milhões, com um superávit expressivo de US$ 370,8 milhões para o Brasil. Para equilibrar a balança, a diplomacia incentiva a exportação de produtos artesanais e gourmet senegaleses, como derivados do amendoim e flores de nenúfar. Além do comércio de bens, a tecnologia brasileira avança no solo africano com a criação da primeira indústria de genética agrícola no Senegal pela empresa West Aves, projeto que promete autossuficiência na produção de aves e redução de 20% no custo ao consumidor local.
A parceria entre Brasília e Dacar ultrapassa os negócios, fundamentando-se em laços históricos profundos e visões convergentes no Sul Global. A embaixadora do Senegal no Brasil, Marie Gnama Bassene, destacou que ambos compartilham o compromisso com a paz, a segurança e a reforma de organismos internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU. O Senegal, que presidirá a Comissão da Cedeao até 2030, vê no Brasil um aliado estratégico na Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), cuja liderança foi assumida recentemente pelo governo brasileiro.
A presença de 38 delegações estrangeiras no fórum de segurança em Dacar reforçou o papel do Brasil como um proponente de ideias para a estabilidade no continente africano. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Cheikh Niang, sublinhou que a participação brasileira é de “grande utilidade” para a qualidade das discussões multilaterais. Com a convergência política e os novos investimentos em tecnologia e infraestrutura, a reabertura da rota aérea direta é vista como o elo final para consolidar uma aliança estável de quase 65 anos.
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Fonte: News Rondônia