O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), revela uma conexão profunda entre facções criminosas e o sistema financeiro formal. Em mais de 220 páginas, a investigação detalha como grupos como o PCC atingiram um patamar de sofisticação empresarial, utilizando fundos de investimento e instituições bancárias para lavar bilhões de reais. O documento aponta o caso do Banco Master como um exemplo emblemático dessa simbiose entre o crime de base territorial e o mercado financeiro.
Segundo o relator, a criminalidade organizada não se limita mais apenas ao controle de territórios, mas infiltra-se em setores lícitos como combustíveis, imobiliário e ouro. Vieira argumenta que o combate ao crime deve focar nas cadeias econômicas, pois a repressão apenas ostensiva é insuficiente para desarticular as estruturas financeiras das facções. O relatório destaca que o uso de criptomoedas e fintechs tem facilitado a dissimulação de ativos ilícitos oriundos do tráfico de drogas e armas em todo o território nacional.
O texto também dedica capítulos críticos à exploração de menores no ambiente digital e ao sistema prisional. O senador aponta que plataformas como Facebook e Instagram são centrais no aliciamento de crianças, favorecido por uma postura passiva das bigtechs. Além disso, o relatório classifica o sistema carcerário brasileiro como o “centro de comando” das organizações criminosas, citando um déficit de 202 mil vagas que exigiria um investimento de R$ 14 bilhões para ser sanado, visando retomar o controle estatal sobre as unidades prisionais.
Como medidas drásticas, o relatório recomenda a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro e pede o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade no âmbito do caso Banco Master. O documento aguarda votação na comissão e deve sofrer pedidos de vista. O governo do Rio de Janeiro e as autoridades do Judiciário ainda não emitiram posicionamentos oficiais sobre as conclusões apresentadas.
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Fonte: News Rondônia