A qualidade da água nos rios da Mata Atlântica permanece em níveis preocupantes e sem sinais de melhora consistente, segundo o relatório “Retrato da Qualidade da Água”, lançado nesta quinta-feira (19) pela Fundação SOS Mata Atlântica. O levantamento, baseado em mais de 1.200 análises realizadas em 162 pontos de coleta durante o ano de 2025, revelou que a grande maioria dos corpos d’água (78,4%) apresenta qualidade apenas regular, enquanto quase 19% foram classificados como ruins ou péssimos.
O estudo destaca um retrocesso no último biênio: o número de pontos com água considerada “boa” caiu de nove para apenas três em áreas comparáveis. De acordo com Gustavo Veronesi, coordenador da fundação, o cenário de estagnação reflete o descompasso entre as metas do Novo Marco Legal do Saneamento Básico e a realidade das bacias hidrográficas. Com a meta de universalização prevista para 2033, o relatório alerta que o avanço lento na coleta e tratamento de esgoto doméstico mantém os rios sob pressão constante de poluição.
Além do saneamento, a diretora de políticas públicas da entidade, Malu Ribeiro, aponta que a flexibilização de leis ambientais e a perda de matas ciliares agravam a crise hídrica. A destruição da vegetação nativa reduz a capacidade dos rios de filtrar poluentes e reter sedimentos, tornando-os mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas. Para a fundação, a fragilização da legislação ambiental compromete diretamente a segurança hídrica e a saúde pública de 14 estados brasileiros abrangidos pelo bioma.
Veja mais notícias
Fonte: News Rondônia

