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Violência sexual contra crianças e jovens dispara no Brasil

A violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil apresentou um crescimento alarmante entre 2014 e 2024. Dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam que na primeira infância (zero a quatro anos), o número de casos aumentou mais de quatro vezes, saltando de 1.671 para 7.845 registros. Entre crianças de cinco a 14 anos, as notificações saltaram de 6.594 para 29.135 no mesmo período, evidenciando uma crise que se concentra majoritariamente no ambiente doméstico.
O estudo destaca que cerca de dois terços dos crimes contra menores de 14 anos ocorrem dentro da própria residência. Para o grupo de até quatro anos, a incidência em casa chega a quase 80% das ocorrências. A análise aponta para uma estruturação profunda da violência baseada em relações de gênero: 86,9% das vítimas de violência sexual são do sexo feminino. Especialistas associam esse quadro a estruturas de controle do corpo feminino e deslegitimação do consentimento, dinâmicas que, segundo o relatório, têm sido reforçadas por conteúdos de misoginia disseminados em redes sociais entre jovens.
Suicídios e autolesões na adolescência
Além da violência externa, o Atlas alerta para a crescente taxa de suicídios e autolesões entre jovens de 10 a 19 anos, que aumentou 41,7% na última década. O fenômeno é frequentemente precedido por um histórico de negligência, abusos sistemáticos e ausência de redes de proteção eficazes durante a infância. “Esse percurso começa na infância, nas relações de cuidado fragilizadas, na negligência cotidiana e, sobretudo, na ausência ou insuficiência de proteção”, ressalta a publicação.
Para os pesquisadores, o enfrentamento desse cenário exige uma abordagem contínua que integre prevenção e proteção desde o nascimento. O fortalecimento do núcleo familiar como ambiente seguro é classificado como pilar básico, mas insuficiente se não acompanhado por políticas públicas integradas que atuem nas falhas de cuidado e ofereçam suporte especializado.
Canais de Apoio e Prevenção
O Ministério da Saúde reforça a necessidade de busca por ajuda especializada em casos de sofrimento psíquico ou risco de violência. A rede de atendimento inclui Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e unidades de pronto atendimento (UPA). O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece suporte emocional gratuito e sigiloso pelo número 188, disponível 24 horas por dia para todo o país.
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Fonte: News Rondônia

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