Um vídeo que circula nas redes sociais chamou a atenção dos moradores de Porto Velho ao mostrar três jovens no topo de um prédio abandonado localizado em frente ao Porto Velho Shopping, na Avenida Prefeito Chiquilito Erse, antiga Avenida Rio Madeira.
Nas imagens, os jovens aparecem próximos à borda da estrutura, sem qualquer equipamento de proteção, em uma construção antiga que não possui sistemas de segurança ou barreiras para impedir o acesso. A cena gerou preocupação e levantou discussões sobre os riscos envolvendo imóveis abandonados existentes na capital.
A equipe do News Rondônia percorreu alguns pontos de Porto Velho e constatou que existem diversas construções abandonadas espalhadas pela cidade. Muitos desses imóveis apresentam sinais de deterioração, acesso facilitado e ausência de fiscalização, tornando-se locais frequentemente utilizados por curiosos, influenciadores em busca de imagens para as redes sociais e até mesmo por usuários de drogas.
Risco de morte
Especialistas alertam que edificações abandonadas podem apresentar sérios riscos estruturais, como desabamentos, pisos comprometidos, ferragens expostas, buracos, ausência de guarda-corpo e quedas de grandes alturas.
Além do perigo físico, esses locais podem abrigar animais peçonhentos, materiais contaminados e oferecer condições inseguras para qualquer pessoa que entre sem autorização.
O que diz a legislação
A legislação brasileira não possui um crime específico para quem coloca a própria vida em risco ao acessar um prédio abandonado. No entanto, a forma como ocorre a entrada no imóvel pode gerar consequências jurídicas.
Dependendo das circunstâncias, o invasor poderá responder por crimes como violação de domicílio ou esbulho possessório, além de estar sujeito à responsabilização na esfera cível.
Quem é responsável em caso de acidente?
De acordo com o entendimento predominante da Justiça, uma pessoa que invade um imóvel abandonado sem autorização e sofre um acidente dificilmente conseguirá responsabilizar judicialmente o proprietário pela falta de conservação do local.
Isso porque, nesses casos, considera-se que o invasor assumiu voluntariamente o risco ao acessar uma área claramente perigosa e sem autorização.
CREA-RO desenvolve estudos para recuperar áreas abandonadas
Enquanto casos como o registrado no vídeo evidenciam os riscos dessas estruturas, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Rondônia (CREA-RO) vem desenvolvendo, desde 2024, projetos voltados ao diagnóstico e à recuperação de espaços abandonados em Porto Velho.
Uma das iniciativas ganhou força em fevereiro de 2025. Na sexta-feira, 21 de fevereiro, o coordenador do Projeto de Engenharia Pública do CREA-RO, engenheiro Rodrigo Sanchez, reuniu-se com o professor Harrisson Oliveira e estudantes do curso de Engenharia da Faculdade FIMCA para iniciar o planejamento dos estudos técnicos sobre os prédios abandonados da capital.
O projeto busca envolver os acadêmicos em ações práticas voltadas à solução de problemas urbanos, aproximando os futuros profissionais das demandas reais da sociedade e contribuindo com propostas técnicas para a revitalização dessas áreas.
Segundo o CREA-RO, os imóveis abandonados representam muito mais do que um problema visual. Eles se transformam em pontos de insegurança, favorecendo invasões, criminalidade, proliferação de doenças, focos de vetores, degradação ambiental e desvalorização dos imóveis vizinhos.
A proposta é elaborar estudos técnicos capazes de subsidiar futuras ações do poder público e da iniciativa privada, promovendo a recuperação desses espaços e devolvendo segurança e qualidade urbana para a população.
Debate sobre imóveis abandonados
O episódio registrado nas redes sociais reforça a necessidade de discutir o destino das inúmeras edificações abandonadas existentes em Porto Velho.
Além do aspecto visual, esses imóveis representam riscos à segurança pública, podem servir de abrigo para atividades ilícitas e acabam se tornando pontos de exposição para pessoas que, em busca de aventura ou visibilidade nas redes sociais, colocam a própria vida em perigo.
A situação evidencia a importância da atuação conjunta entre poder público, proprietários e entidades técnicas, como o CREA-RO, para encontrar soluções que reduzam os riscos e promovam a recuperação desses espaços.
Até o momento, os três jovens que aparecem nas imagens não foram identificados.
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Fonte: News Rondônia