O uso simultâneo do celular com atividades como estudar, trabalhar ou assistir televisão pode comprometer significativamente a capacidade de concentração. Especialistas alertam que esse comportamento provoca uma fragmentação constante do foco, fenômeno que vem sendo associado ao que muitos chamam de “atrofia da atenção”.
Embora o termo não seja reconhecido oficialmente pela medicina, ele descreve os efeitos da alternância frequente entre tarefas e notificações digitais. Com o passar do tempo, o cérebro passa a ter mais dificuldade para manter a atenção em atividades que exigem concentração prolongada.
Segundo o neurocientista Leandro Oliveira, o uso excessivo do celular pode afetar funções cognitivas importantes, como memória de trabalho, compreensão de textos, planejamento e capacidade de aprendizagem.
“O uso constante do celular pode fazer a pessoa ler mais e entender menos, estudar por mais tempo e não reter tudo, trabalhar com sensação de esforço contínuo e ainda assim produzir com menor profundidade”, explicou o especialista.
Além da redução no desempenho cognitivo, o comportamento também pode gerar sintomas como cansaço mental, irritabilidade e dificuldade para tomar decisões. A psiquiatra Renata Verna destaca que a troca constante de foco exige esforço contínuo do cérebro, aumentando a sensação de exaustão ao longo do dia.
Por que o cérebro não consegue fazer tudo ao mesmo tempo?
Embora o cérebro seja capaz de executar tarefas simples simultaneamente, como caminhar e conversar, atividades que envolvem raciocínio, linguagem, memória e tomada de decisão exigem maior dedicação cognitiva.
Na prática, quando uma pessoa responde mensagens enquanto estuda ou trabalha, ela não realiza duas tarefas complexas ao mesmo tempo. O cérebro apenas alterna rapidamente entre uma atividade e outra, processo que aumenta a chance de erros e reduz a qualidade da execução.
Essa dinâmica é potencializada pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, que utilizam notificações frequentes para estimular o sistema de recompensa cerebral, incentivando verificações constantes do aparelho.
Como recuperar a capacidade de concentração
Especialistas afirmam que é possível reeducar o cérebro para reduzir a dependência dos estímulos digitais. Pequenas mudanças de hábito podem trazer benefícios significativos para a atenção e a produtividade.
Entre as principais recomendações estão manter o celular fora do campo de visão durante tarefas importantes, silenciar notificações, estabelecer horários específicos para verificar mensagens e reservar períodos de foco sem interrupções.
Também são indicadas atividades que estimulam a concentração prolongada, como leitura, escrita e exercícios físicos. Reduzir o uso de telas antes de dormir e durante refeições ou conversas também contribui para melhorar a qualidade da atenção.
Para os especialistas, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. O uso contínuo, automático e fragmentado das telas reduz momentos de reflexão e descanso mental, fundamentais para o funcionamento saudável do cérebro.
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Fonte: News Rondônia