Golpe do Falso Advogado: Força-tarefa é realizada para combater golpe em Rondônia
“Usaram minha imagem”: Foi assim que o advogado e professor universitário Cláudio Ramos, de Porto Velho, resumiu a sensação ao perceber que criminosos estavam se passando por ele para tentar aplicar golpes em clientes no início de agosto. A fraude veio à tona depois que um ex-aluno, que também já havia sido seu cliente, estranhou uma mensagem recebida de um número desconhecido e decidiu confirmar se o contato era realmente do advogado.
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Segundo Cláudio, o perfil falso utilizava a foto dele e fazia contato com pessoas que já haviam sido clientes do advogado. Ele acredita que a facilidade de acesso a informações disponíveis na internet tem contribuído para esse tipo de crime.
“Foi por meio de um ex-aluno, um ex-cliente, um amigo, que me encaminhou a mensagem e me mostrou. A pessoa usava minha imagem e um número que eu não conheço”, disse Cláudio.
Assim que soube da tentativa de golpe, o advogado avisou clientes, amigos e familiares para que desconfiassem de mensagens suspeitas e sempre confirmassem qualquer pedido de pagamento ou solicitação de informações.
“Eu informei meus clientes para não fazerem nada antes de perguntar e de duvidarem. É sempre importante estar atento a essas informações”, destacou.
Cláudio contou que essa não foi a primeira vez que teve a identidade usada por golpistas. Além de alertar os clientes, Cláudio registrou um boletim de ocorrência e denunciou o perfil utilizado pelos criminosos.
“As medidas que a gente acaba tomando são registrar ocorrência para eventual inquérito e denunciar o uso indevido da imagem na plataforma digital”, disse.
O golpe não chegou a causar prejuízo a Cláudio, mas chamou a atenção para uma fraude que, segundo a Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia (OAB-RO), tem feito cada vez mais vítimas.
Como funciona o golpe do falso advogado
O caso de Cláudio não é isolado. Segundo a OAB-RO, houve aumento expressivo de denúncias de golpes em que criminosos se passam por advogados. A entidade, no entanto, não tem um número consolidado de ocorrências, já que os registros são feitos diretamente pelas vítimas ou pelos profissionais nas delegacias.
O g1 procurou a Polícia Civil para saber se há dados sobre registros desse tipo de golpe em Rondônia e quais são as principais orientações para as vítimas, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
De acordo com a vice-presidente da OAB-RO, Vanessa Esber, os criminosos costumam usar informações disponíveis publicamente em processos judiciais para identificar advogados e clientes. A partir desses dados, procuram os telefones das vítimas e iniciam o contato por um número novo de WhatsApp, geralmente usando a foto do advogado ou a logomarca do escritório.
A abordagem costuma envolver pressão para que a vítima faça um pagamento por Pix sob a justificativa de liberar valores de um processo ou quitar supostas custas.
“Temos a mesma porta de entrada, que é um número novo de telefone, e a mesma porta de saída, que é uma conta bancária de terceiro. Enquanto essas duas portas ficarem abertas, o golpe continua”, afirmou Vanessa.
Segundo Vanessa Esber, já existem casos em que os criminosos utilizam inteligência artificial para imitar a voz de advogados durante as abordagens.
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O que a OAB está fazendo
Diante do aumento dos casos, a OAB-RO informou que ajuizou uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra operadoras de telefonia, uma empresa responsável por redes sociais e instituições financeiras.
Segundo a entidade, a ação cobra maior rigor na habilitação de linhas telefônicas e na criação de contas em plataformas digitais, além de mecanismos mais rígidos para abertura e monitoramento de contas bancárias utilizadas para receber valores dos golpes.
Apesar dessas medidas, a vice-presidente da OAB-RO, Vanessa Esber, destaca que o registro individual de cada caso ainda é fundamental para que as autoridades consigam dimensionar o problema e investigar os crimes.
“Sem boletim de ocorrência e sem representação criminal, o crime simplesmente não aparece na estatística oficial, e o que não aparece na estatística não recebe estrutura de investigação”, afirmou.
Segundo Vanessa, a orientação atual é que advogados e vítimas registrem diretamente o boletim de ocorrência e apresentem também representação criminal. A recomendação é guardar prints das conversas, denunciar o perfil falso à plataforma e preservar o comprovante da denúncia.
Como evitar o golpe
A principal orientação da OAB-RO é que clientes não façam pagamentos ou compartilhem informações a partir de mensagens recebidas de números desconhecidos, mesmo quando o contato utiliza nome, foto ou até a voz do advogado.
A entidade recomenda que o cliente confirme a informação por um canal que já conheça, como o telefone que consta no contrato de honorários ou um contato salvo anteriormente.
Outra medida sugerida é criar uma senha ou palavra-chave entre advogado e cliente e registrá-la no contrato. Assim, diante de uma solicitação inesperada, o cliente pode pedir a senha para confirmar a identidade do profissional.
“Ninguém paga para receber. O Judiciário não cobra taxa por Pix para liberar dinheiro de processo, e nenhum advogado sério faz cobrança surpresa por mensagem”, alertou Vanessa.
A Ordem também orienta que a população consulte o Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) para verificar os contatos oficiais registrados e, em caso de fraude, acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED) da instituição financeira utilizada no Pix.
Segundo a OAB-RO, outra ferramenta criada pelo Conselho Federal da entidade é o Confirma Adv, que permite ao cliente inserir os dados do advogado para que o profissional confirme a identidade.
A orientação é desconfiar principalmente quando três sinais aparecem juntos: número novo, pedido urgente e conta bancária diferente da indicada no contrato de honorários.
“Se o número é novo, se a pressa é grande e se a conta não é a do contrato, pare. Uma ligação de confirmação custa um minuto. O golpe custa a economia de uma vida”, disse Vanessa.
Golpe do falso advogado, imagem ilustrativa
TV Globo/Reprodução