O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) emitiu um alerta nesta quinta-feira (19) sobre os graves prejuízos causados pela falta de acesso a água potável em escolas públicas do Brasil. Embora o número de unidades sem abastecimento tenha caído pela metade no último ano de 2.512 em 2024 para 1.203 em 2025, cerca de 75 mil estudantes ainda frequentam colégios onde esse direito básico não é garantido. O diagnóstico foi divulgado às vésperas do Dia Mundial da Água, celebrado no próximo domingo (22).
De acordo com o Unicef, a precariedade afeta majoritariamente as zonas rurais, que concentram 96% das escolas desabastecidas, especialmente nas regiões da Amazônia e do Semiárido. Rodrigo Resende, oficial de Água e Saneamento da ONU no Brasil, destaca que o problema reflete disparidades sociais e raciais históricas: alunos negros e indígenas compõem a maioria dos afetados. O órgão ressalta que a ausência de água compromete a higiene, a qualidade da merenda escolar e a saúde geral dos estudantes, dificultando a retenção de alunos no sistema de ensino.
Um dos pontos mais sensíveis apontados pelo relatório é o impacto na dignidade menstrual. A falta de banheiros adequados e água para higiene pessoal vulnerabiliza meninas, que muitas vezes deixam de frequentar as aulas durante o período menstrual ou precisam abandonar o ambiente escolar em busca de infraestrutura apropriada. Para reverter esse cenário, o Unicef defende o fortalecimento de políticas públicas municipais e investimentos em soluções sustentáveis, como sistemas de abastecimento movidos a energia solar, para garantir o bem-estar e a segurança de crianças e adolescentes.
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Fonte: News Rondônia

