A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou, nesta quarta-feira (25), o Relatório de Monitoramento Global da Educação (Relatório GEM) 2026, revelando um cenário preocupante: a população fora da escola atingiu 273 milhões de pessoas em 2024. Após uma redução significativa entre 2000 e 2015, o número de excluídos voltou a subir anualmente. Atualmente, uma em cada seis crianças e jovens no mundo não tem acesso ao ensino, e apenas dois terços dos jovens conseguem concluir a educação secundária (ensino médio).
O documento, intitulado “Contagem Regressiva para 2030”, destaca que o progresso na permanência escolar desacelerou globalmente desde 2015. A África Subsaariana e o Oriente Médio são as regiões mais críticas, sendo esta última severamente impactada por conflitos recentes envolvendo potências internacionais, que forçaram o fechamento de unidades de ensino. A Unesco estima que os dados oficiais podem estar subestimados em 13 milhões de pessoas, caso sejam consideradas lacunas informacionais em zonas de guerra.
Avanços em matrículas e desafios na conclusão
Apesar da exclusão crescente, o relatório mostra que o número total de matriculados aumentou 30% desde 2000, chegando a 1,4 bilhão de estudantes. Países como Etiópia e China registraram saltos históricos no acesso ao ensino primário e superior, respectivamente. No entanto, a qualidade e a idade de conclusão continuam sendo barreiras: em países de baixa renda, a formatura no ensino fundamental II ocorre com frequência com vários anos de atraso, uma discrepância que vem aumentando desde 2005 devido a altas taxas de repetência.
Para atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) até 2030, a Unesco recomenda que os países integrem suas metas educacionais aos orçamentos nacionais de forma mais rígida. O relatório também enfatiza a necessidade de políticas pautadas na equidade, citando o sucesso do Nepal na redução da disparidade de gênero. No ensino superior, o levantamento indica que um em cada três países já não cobra mensalidades em universidades públicas, mas alerta que o ritmo atual de expansão só permitiria a universalização do ensino médio em 2105.
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Fonte: News Rondônia