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Cultura

Um poema que me comoveu

2 minutos de leitura

Acabo de ler o: “Poema do Tio-avô Materno” de António Gedião, que muito me comoveu. Não pela inefável beleza, escrito por mão de Mestre, mas pelo sublime gesto do antepassado, que o poeta não conhecera, mas que lhe servira de – exemplo, carinho e bondade, nobres predicados, que germinaram no coração do menino Gedião.

Não resisto a não o transcrever, na esperança dos leitores mais sensíveis, também se enterneçam, e certifiquem – que a educação e os bons exemplos não se transmitem só pelos livros, mas sim pelo procedimento de familiares, mesmo falecidos: POEMA DO TIO-AVÔ MATERNO “Num dia sufocante, e intensíssimo calor, Encontrei, ao regressar da escola, um passarinho quase sem vida, caído na rua, Levantei-o do chão, perante olhares indiferentes, anichei-o nas mãos em concha, e trouxe-o para casa.

Meti-lhe, pela goela, gotas de água, com a pepita dum frasco de remédio, dirigi-lhe palavras carinhosas que ele pareceu entender, e mal o achei melhor, abri-lhe as mãos e dei-lhe a liberdade.

Todos me cumprimentaram, pelo bom coração que assim revelei, Todos cumprimentaram a minha mãe, pela boa educação que me soube dar, todas as visitas me deram palmadinhas no rosto, e fui apontado aos meninos maus das visitas, como um exemplo edificante que todos deviam seguir.

Eu sorria-me, porque me lembrava de ter ouvido contar que meu tio-avô materno, que não cheguei a conhecer, também um dia encontrara passarinho na rua, e fizera o mesmo que eu fiz.

António Gedião in” Poemas Póstumos” A verdadeira educação é a da alma; que não vem nos livros de psicologia, e menos ainda em manuais de etiqueta. Mas no exemplo, que os pais, ao longo da vida, inculcam – pela correta conduta quotidiana.

Palavras grosseiras e torpes; deploráveis gestos; ausências de respeito; violência inclassificável, que as famílias imputam à coletividade, é quantas vezes, falta de atitudes sublimes: de educadores, e mormente, da classe política e jornalística, pela relaxação, que patenteiam, através dos órgãos de informação, em que são responsáveis, e de pais, indignos de tal nome, que não sabem ou não querem transmitir, bons e sadios hábitos.

Pelo desregramento voluntário ou involuntário, que alguns jornalistas divulgam, em textos e fotos, ainda que não o desejem, podem se tornar “filhos da geeme“

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