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Um poema que me comoveu

Acabo de ler o: “Poema do Tio-avô Materno” de António Gedião, que muito me comoveu. Não pela inefável beleza, escrito por mão de Mestre, mas pelo sublime gesto do antepassado, que o poeta não conhecera, mas que lhe servira de – exemplo, carinho e bondade, nobres predicados, que germinaram no coração do menino Gedião.
Não resisto a não o transcrever, na esperança dos leitores mais sensíveis, também se enterneçam, e certifiquem – que a educação e os bons exemplos não se transmitem só pelos livros, mas sim pelo procedimento de familiares, mesmo falecidos:
POEMA DO TIO-AVÔ MATERNO
“Num dia sufocante, e intensíssimo calor,
Encontrei, ao regressar da escola,
um passarinho quase sem vida, caído na rua,
Levantei-o do chão, perante olhares indiferentes,
anichei-o nas mãos em concha,
e trouxe-o para casa.
Meti-lhe, pela goela, gotas de água, com a pepita dum frasco de remédio,
dirigi-lhe palavras carinhosas que ele pareceu entender,
e mal o achei melhor, abri-lhe as mãos e dei-lhe a liberdade.
Todos me cumprimentaram, pelo bom coração que assim revelei,
Todos cumprimentaram a minha mãe, pela boa educação que me soube dar,
todas as visitas me deram palmadinhas no rosto,
e fui apontado aos meninos maus das visitas,
como um exemplo edificante que todos deviam seguir.
Eu sorria-me, porque me lembrava de ter ouvido contar
que meu tio-avô materno, que não cheguei a conhecer,
também um dia encontrara passarinho na rua,
e fizera o mesmo que eu fiz.
António Gedião
in” Poemas Póstumos”
A verdadeira educação é a da alma; que não vem nos livros de psicologia, e menos ainda em manuais de etiqueta. Mas no exemplo, que os pais, ao longo da vida, inculcam – pela correta conduta quotidiana.
Palavras grosseiras e torpes; deploráveis gestos; ausências de respeito; violência inclassificável, que as famílias imputam à coletividade, é quantas vezes, falta de atitudes sublimes: de educadores, e mormente, da classe política e jornalística, pela relaxação, que patenteiam, através dos órgãos de informação, em que são responsáveis, e de pais, indignos de tal nome, que não sabem ou não querem transmitir, bons e sadios hábitos.
Pelo desregramento voluntário ou involuntário, que alguns jornalistas divulgam, em textos e fotos, ainda que não o desejem, podem se tornar “filhos da geeme“

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Fonte: News Rondônia

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