O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a tensão no Oriente Médio a um patamar sem precedentes nesta terça-feira (7) ao declarar que “uma civilização inteira morrerá esta noite”. A ameaça de aniquilação do Irã foi condicionada à reabertura imediata do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo. Em tom de ultimato, Trump afirmou que poderá devolver a nação persa herdeira de um legado cultural e científico de mais de 3 mil anos à “idade das pedras”. A retórica foi classificada por juristas e acadêmicos brasileiros como uma apologia ao genocídio e uma violação direta dos princípios básicos da coexistência entre as nações.
Para Gustavo Vieira, professor de direito internacional da Unila, a fala de Trump ignora as normas consolidadas desde o Tribunal de Nuremberg e o Estatuto do Tribunal Penal Internacional. “Estamos falando de uma ameaça de crime contra a humanidade. O direito internacional exige proporcionalidade, e aniquilar uma nação para abrir uma rota comercial é uma afronta absoluta a esses parâmetros”, explicou o especialista à Agência Brasil. A professora Elaini Silva, da PUC-SP, reforçou que tais ameaças podem configurar responsabilidade pessoal do governante, descrevendo o cenário como a “imagem da barbárie”.
Enquanto a diplomacia colapsa, a destruição do patrimônio histórico iraniano já é uma realidade. A Unesco estima que 160 monumentos foram danificados por bombardeios dos EUA e de Israel. O antropólogo Paulo Hilu, da UFF, alerta que o impacto vai além das pedras: a civilização persa legou ao mundo bases do pensamento teológico-filosófico, como a dualidade entre o bem e o mal originária do zoroastrismo. Hilu observa ainda que a agressividade de Trump tende a gerar um efeito reverso, fortalecendo o nacionalismo iraniano e o apoio ao regime em nome da soberania nacional.
Questionado sobre a legalidade de atacar infraestruturas civis e centros educacionais cerca de 600 já teriam sido atingidos segundo Teerã, Trump evitou responder diretamente aos jornalistas, acusando a imprensa de falta de credibilidade. O presidente justificou a ofensiva como uma medida para impedir o desenvolvimento de armas nucleares, embora relatórios de inteligência dos próprios EUA não confirmem essa intenção por parte do Irã. No encerramento de sua declaração, Trump disse que o desfecho ocorrerá “em um dos momentos mais importantes da história”, selando um dia de apreensão extrema para a paz mundial.
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Fonte: News Rondônia