O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira (2), uma proposta de aplicar tarifas adicionais de 12,5% a países que não proíbem a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida surge após uma investigação apontar que 60 nações, incluindo o Brasil e a China, não adotam salvaguardas suficientes para barrar a entrada desses produtos. Apesar das acusações, a carne bovina brasileira foi incluída em uma lista de isenções da nova tarifa.
Acusações e competitividade
O documento que embasa a proposta dos EUA dedica um capítulo específico à pecuária brasileira, alegando que o uso de trabalho forçado na produção de gado é “amplamente documentado” por pesquisas independentes e por registros do governo americano, como a lista TVPRA.
O texto também destaca a perda de espaço da carne americana no mercado chinês em comparação à brasileira:
Entre 2015 e 2025, o volume de exportação de carne bovina congelada do Brasil quase dobrou, enquanto o dos Estados Unidos cresceu 21%.
A fatia do Brasil nas importações chinesas saltou de 38% em 2021 para 53% em 2025, enquanto a dos EUA caiu de 6% para 2% no mesmo intervalo.
Em 2025, o preço médio da carne bovina brasileira importada foi de 2,40 dólares, valor 41% inferior aos 4,20 dólares registrados pela carne americana.
Argumentação americana
O relatório dos EUA sugere que a “prevalência dessa prática” de trabalho forçado na produção brasileira conferiu uma “vantagem de custo” à carne nacional, distorcendo a concorrência no mercado chinês. O documento admite, porém, que outros fatores, como o tamanho do rebanho bovino norte-americano, também influenciam a competitividade.
Questionada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) confirmou que o setor de carne bovina está isento da nova tarifa sugerida e afirmou que não fará comentários neste momento. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) não retornou o contato até o fechamento desta reportagem.
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Fonte: News Rondônia