Se você abriu o TikTok nos últimos dias e se deparou com um morango discutindo um relacionamento com uma banana, não é impressão: as chamadas “frutinovelas” se tornaram um dos conteúdos mais virais da plataforma.
A tendência consiste em novelinhas curtas produzidas inteiramente com inteligência artificial, com personagens humanizados — geralmente frutas — vivendo histórias cheias de drama, traição e conflitos exagerados. Os episódios, em formato rápido, seguem a lógica de prender a atenção em poucos segundos, característica central da rede social.
Personagens como Cherrita, Bananito e Strawberrina protagonizam enredos intensos em séries como “Fruit Love Island”, que rapidamente ganharam milhões de visualizações. Em alguns casos, perfis dedicados a esse tipo de conteúdo já acumulam milhões de seguidores e engajamento massivo em poucas semanas.
Apesar do sucesso, a trend também enfrenta críticas. Parte do público aponta que os vídeos exageram em situações humilhantes, especialmente envolvendo personagens femininas. O termo “AI slop” passou a ser usado por internautas para classificar conteúdos gerados por inteligência artificial considerados repetitivos ou de baixa qualidade.Ainda assim, o apelo popular continua alto. O motivo é direto: drama extremo, estética chamativa e narrativas absurdas, que funcionam bem no algoritmo e estimulam o consumo contínuo.
Por trás da tendência está o avanço acelerado de ferramentas de IA generativa. Plataformas como Sora, Google Veo e Kling AI permitem criar vídeos completos — do roteiro à animação — de forma automatizada. Em muitos casos, basta definir um tema para que todo o conteúdo seja produzido.
Esse cenário representa uma mudança significativa na produção digital. Criadores independentes conseguem desenvolver conteúdos complexos sem equipe, orçamento ou conhecimento técnico avançado, algo que até pouco tempo atrás era restrito a grandes produtores.
Mas a internet não parou por aí. Em resposta à avalanche de vídeos gerados por IA, usuários começaram a inverter a lógica: pessoas reais passaram a imitar conteúdos típicos da inteligência artificial.
A nova onda resgata o estilo dos chamados “brainrots”, vídeos caóticos, sem narrativa linear e com estética propositalmente estranha. Agora, no entanto, eles aparecem em versões live-action, com atuação humana, figurino e edição que replicam o visual artificial.
Diferente das frutinovelas, esses vídeos quase não contam histórias. São sequências curtas, desconexas e com trilhas sonoras repetitivas, funcionando como experiências visuais rápidas e impactantes.
O fenômeno evidencia uma transformação mais ampla: a estética da inteligência artificial já não está apenas influenciando o conteúdo — ela começa a moldar o comportamento criativo das pessoas.
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Fonte: News Rondônia