O município de Cacoal, em Rondônia, será o primeiro do estado a receber uma operação de combate ao mosquito Aedes aegypti com uso de drones e análise territorial. A iniciativa faz parte do programa Techdengue, que amplia o uso de tecnologia no enfrentamento às arboviroses na região Norte.
A operação utiliza drones equipados com câmeras de alta resolução para mapear áreas urbanas e identificar locais com potencial de acúmulo de água parada, principal fator para a proliferação do mosquito transmissor de doenças.
Segundo o diretor de operações do programa, Renato Mafra, a proposta é tornar a atuação dos municípios mais eficiente e baseada em dados. “O uso da tecnologia permite que a gestão pública deixe de atuar apenas de forma reativa e passe a antecipar riscos com mais precisão”, afirmou.
As imagens captadas são processadas por sistemas de inteligência artificial, que transformam os dados em mapas de risco. Essas informações orientam as equipes de campo, permitindo intervenções mais rápidas e direcionadas. “Conseguimos atuar exatamente onde o problema está ou tem maior probabilidade de surgir”, explicou o executivo.
Tecnologia já utilizada em centenas de cidades
O Techdengue já é aplicado em mais de 630 municípios brasileiros, alcançando cerca de 13 milhões de pessoas. O modelo substitui ações reativas por estratégias baseadas em evidências, permitindo identificar áreas críticas antes do aumento de casos.
De acordo com Renato Mafra, esse é um dos principais diferenciais da tecnologia. “Quando o município age antes do aumento de casos, o impacto é menor e a resposta se torna mais eficiente”, destacou.
Mapeamento detalhado e atuação precisa
O processo começa com o mapeamento aéreo, incluindo locais de difícil acesso, como telhados, terrenos fechados e estruturas elevadas. A partir das imagens, algoritmos identificam padrões associados à formação de criadouros do mosquito.
Os dados são integrados a plataformas de geoprocessamento, gerando indicadores e mapas que orientam as ações das equipes de vigilância. Com isso, é possível priorizar áreas mais críticas, otimizar recursos e aumentar a efetividade das ações em campo.
Além do monitoramento, a tecnologia também permite o tratamento direcionado dos pontos identificados, com aplicação precisa de larvicida. O produto utilizado é 100% orgânico e biodegradável, reforçando práticas sustentáveis no controle da doença.
Impacto na gestão pública
A estratégia baseada em dados contribui para reduzir custos e evitar a sobrecarga do sistema de saúde. Estimativas operacionais indicam que, para cada R$ 1 investido, é possível economizar até R$ 28,60 em despesas com internações, medicamentos e tratamentos.
“A prevenção muda a lógica do gasto público. O município investe antes e evita custos muito maiores durante uma crise sanitária”, concluiu Renato Mafra.
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Fonte: News Rondônia

