Inspirado pelo saber tradicional dos “profetas da chuva”, como Renato Lino, que interpreta sinais da natureza para prever o clima, um novo projeto científico busca traduzir as respostas metabólicas de seres vivos por meio de tecnologia digital. Batizado de Apeiron, o projeto será conduzido pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR) e visa transformar observações biológicas em dados concretos para o planejamento urbano.
O tradutor da natureza
A iniciativa, descrita pelo biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Artur Maia, como uma “Babel reversa”, pretende captar sinais emitidos por diversas espécies inseridas na cena urbana de Recife, como:
Sons emitidos por morcegos.
Ritmo de abertura e fechamento das conchas de ostras.
Transpiração de aroeiras.
Padrões de voo das abelhas.
Esses dados serão comparados com registros das mesmas espécies em áreas de conservação, como a Reserva Ambiental de Saltinho e a APA de Guadalupe, permitindo compreender como o ambiente humano afeta o metabolismo desses organismos. O objetivo central é desenvolver o Índice de Resiliência Metabólica (IRM), uma escala de 0 a 100 que mensura o esforço das espécies para sobreviver em condições estressantes.
A cidade como organismo vivo
De acordo com Maia, o estresse metabólico é uma informação autêntica que não pode ser omitida pelo organismo. Ao medir o “conforto metabólico” de diferentes espécies, os pesquisadores esperam oferecer subsídios para um planejamento urbano que entenda a cidade como um organismo vivo. A metodologia permitirá identificar pressões ambientais específicas em diferentes bairros, auxiliando na criação de políticas públicas mais eficazes para a melhoria da qualidade de vida tanto para humanos quanto para a fauna e flora locais. Os primeiros testes da pesquisa estão previstos para começar até novembro de 2026.
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Fonte: News Rondônia